De Fernandona a Suely Franco: a notável era dos superidosos nas telas brasileiras
Era dos superidosos: veteranos brilham no cinema e TV brasileira

De Fernandona a Suely Franco: a notável era dos superidosos nas telas

Uma verdadeira revolução está acontecendo nas telas brasileiras, liderada por uma leva de veteranos que traz novas provas de brilho e vitalidade ao cinema e à televisão. A desenvoltura de artistas como Fernanda Montenegro e Ary Fontoura em produções recentes comprova artisticamente um fenômeno mais abrangente: vivemos hoje a chamada era dos superidosos.

Velhos Bandidos: nunca é tarde para brilhar

No novo longa Velhos Bandidos, dirigido por Cláudio Torres, Fernanda Montenegro e Ary Fontoura — com 96 e 93 anos respectivamente — mostram que a palavra aposentadoria está a quilômetros de distância de seus vocabulários. A premissa do filme apresenta uma ironia do destino: enquanto uma dupla de bandidos mais jovens invade a casa do casal nonagenário, são os veteranos que acabam assumindo o controle da situação.

Em vez de chamar a polícia, Marta e Rodolfo cooptam os criminosos para executar um plano ousado de assalto a banco que planejavam há muito tempo. Enquanto os idosos são a mente por trás do roubo, os jovens farão o trabalho braçal. O brilho da produção reside justamente na energia e no carisma dos atores veteranos, que roubam a cena mesmo diante de nomes como Bruna Marquezine e Vladimir Brichta.

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A ciência por trás dos superidosos

O fenômeno dos superidosos consiste no aumento da população de pessoas com mais de 80 anos que mantêm capacidades cognitivas e físicas impressionantes. Segundo dados do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros subiu para 76,6 anos — um aumento significativo de 4,3 anos desde 2006.

Um estudo científico publicado recentemente no periódico Journal of Aging Research revela que o novo status da velhice vem de um conjunto de fatores que vão da genética a uma combinação de rotina de exercícios com dietas equilibradas, o que reduz consideravelmente a chance de doenças cardíacas e câncer. O mesmo estudo também mostra que um dos segredos dos superidosos é socializar mais para exercitar o cérebro e fugir do sedentarismo.

Suely Franco: contrato vitalício e reconhecimento

Aos 86 anos, e após centenas de papéis na TV, no cinema e no teatro, Suely Franco vive um ótimo momento da carreira. Recentemente, interpretou a resiliente Rosa em Dona de Mim, novela das 7 de Rosane Svartman na Globo. Com atuação tocante, conquistou um contrato vitalício com a emissora — algo raro, já que a empresa tem optado por contratos por obra para reduzir custos.

"Esse contrato foi o maior susto da minha vida, e agora vou ter mais segurança para pagar as contas", revelou Suely Franco em entrevista. Uma verdadeira volta por cima para a veterana que passou por dificuldades financeiras durante a pandemia e que viu as propostas de trabalho serem reduzidas conforme se tornou mais velha.

O movimento Quero Veteranos na TV

A falta de ofertas de trabalho é, paradoxalmente, uma dura realidade a ser enfrentada pela leva de astros veteranos que fazem questão de se manter na tela. A escassez de papéis inspirou o movimento Quero Veteranos na TV, idealizado pelo empresário Marcus Montenegro.

Agente de dezenas de atores, mas principalmente de atores mais velhos, ele viu a movimentação do mercado jogando seus clientes maduros para escanteio diante da ascensão de estrelas jovens — problema que aflige não só o mercado brasileiro, mas até Hollywood. "Há mais de dez anos, tive a percepção de que os idosos iam sumindo das telas", diz Montenegro. "Hoje, o mercado entendeu que o público tem identificação com eles, que são os responsáveis pela fidelização da audiência", completa.

Tony Tornado: exemplo de vitalidade aos 95 anos

Prova do carisma desses rostos familiares é o sucesso de Tony Tornado, aos 95 anos, em sua participação na novela Êta Mundo Melhor!, da faixa das 6. Veterano que despontou na Jovem Guarda nos anos 1960, ele planeja uma turnê musical e é cotado para a próxima novela das 9, Quem Ama Cuida, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto.

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Para artistas como ele, Fernanda Montenegro, Ary Fontoura ou Suely Franco, parar não é uma opção. "Enquanto me chamarem para trabalhar, eu estou indo", afirma Suely Franco. Para sorte do público brasileiro, esses superidosos não querem sossego e continuam a iluminar as telas com seu talento e experiência acumulada ao longo de décadas.

O fenômeno dos superidosos nas artes cênicas brasileiras representa não apenas uma conquista individual desses artistas, mas também um reflexo das mudanças demográficas e sociais do país, onde a experiência e a sabedoria dos mais velhos encontram cada vez mais espaço e reconhecimento.