A 61ª Bienal de Veneza, aberta ao público em 9 de maio, apresenta no Pavilhão Brasileiro um diálogo inédito entre duas das mais importantes artistas do país: Adriana Varejão e Rosana Paulino. Sob curadoria de Diane Lima, a exposição intitulada Comigo ninguém pode toma emprestado o nome popular de uma planta tóxica amplamente usada em jardins brasileiros (Dieffenbachia), símbolo de proteção, para explorar temas como história, espiritualidade e ancestralidade.
Um encontro de memórias e traumas coloniais
A mostra propõe uma reflexão sobre a colonização brasileira e seus impactos na sociedade e cultura contemporâneas. Através de pinturas, esculturas e desenhos criados especialmente para a Bienal, as artistas estabelecem um diálogo que transita entre o barroco europeu e as tradições afro-brasileiras.
Adriana Varejão: azulejos e ancestralidade
Ao entrar no Pavilhão, o visitante é recebido por uma série de obras de Adriana Varejão que evocam azulejos, ocupando o teto do espaço. Em pinturas a óleo sobre superfícies craqueladas em gesso, as cores variam do azul ao vermelho, retratando elementos da natureza e rostos que remetem a anjos barrocos do século XVII.
Rosana Paulino: memória e resistência
Rosana Paulino, conhecida por seu trabalho com fotografia, bordado e desenho, aborda a memória da diáspora africana e a resistência feminina. Suas obras dialogam com a história do Brasil, questionando narrativas oficiais e resgatando identidades silenciadas.
Curadoria e conceito
Diane Lima, curadora da exposição, destaca que o título Comigo ninguém pode reflete a força e a proteção simbólica da planta, mas também a resistência cultural e política das artistas. A mostra fica em cartaz até 22 de novembro de 2026, em Veneza, oferecendo ao público internacional uma visão profunda da arte brasileira contemporânea.



