O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta segunda-feira (18) da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). O evento contou com a presença do ministro interino da Saúde, Adriano Massuda, que aproveitou para comentar o caso dos produtos da Ypê suspensos pela Anvisa.
Ministro interino defende Anvisa
Questionado sobre a suspensão de produtos da Ypê, Massuda afirmou que o Ministério da Saúde tem "extrema confiança" nos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que dá condições para que os profissionais tomem as medidas necessárias para garantir a segurança da população. "O Ministério tem acompanhado o caso Ypê como questão técnica acompanhada pela Anvisa. Tem extrema confiança nos técnicos da Anvisa, as ações que são realizadas, então, dando toda a condição para que os profissionais da Anvisa possam realizar as suas ações e tomar as medidas necessárias para a segurança do povo brasileiro", declarou o ministro interino durante a coletiva de imprensa.
Novas linhas de pesquisa
As quatro novas linhas de luz síncrotron inauguradas ampliam a capacidade de pesquisa em áreas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais. Essas linhas são canais que utilizam feixes intensos de luz produzidos por um acelerador de partículas para analisar a estrutura de materiais, células e moléculas em escala atômica. O investimento total foi de R$ 230 milhões, sendo R$ 30 milhões provenientes do Novo PAC. Com a inauguração, o Sirius passa a contar com 15 linhas em funcionamento.
Conheça as novas linhas
- Linha Tatu: Primeira da segunda fase do Sirius, financiada pelo Novo PAC, é a primeira fonte de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. Permite estudar materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas em escala nanométrica, com potenciais avanços em telecomunicações, computação e ciência de materiais.
- Linha Sapucaia: Dedicada a estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, incluindo pesquisas em parceria com a China.
- Linha Quati: Focada em investigações para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
- Linha Sapê: Voltada ao desenvolvimento de materiais avançados para energia, saúde e infraestrutura, incluindo supercondutores e semicondutores para a indústria eletrônica.
O superlaboratório Sirius
O Sirius é um dos três laboratórios de luz síncrotron de quarta geração do mundo, instalado no CNPEM. Funciona como um "supermicroscópio" capaz de analisar estruturas em escala atômica. O equipamento acelera elétrons quase à velocidade da luz em um túnel de 500 metros de comprimento, percorrido 600 mil vezes por segundo. Os elétrons são desviados para as estações de pesquisa por ímãs superpotentes, gerando luz síncrotron invisível a olho nu, mas 30 vezes mais fina que um fio de cabelo.
O Sirius foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz. Com o Novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) destinará mais R$ 800 milhões para construir mais 10 linhas, expandindo ainda mais a capacidade de pesquisa científica do Brasil.



