
Parece que o coração histórico de Manaus está gemendo sob o peso do tempo — e a situação é bem mais grave do que imaginávamos. O Ministério da Cultura soou o alarme: vários prédios centenários que formam a paisagem cultural do centro da cidade apresentam sinais sérios de degradação e risco estrutural. Não é exagero. É realidade.
A gente passa por aquelas fachadas imponentes, cheias de detalhes que contam histórias de outra era, e nem desconfia que por trás daquela beleza pode haver um perigo iminente. Segundo o aviso ministerial, a situação exige atenção imediata.
Não é só um prédio — é um pedaço da história que pode desmoronar
O que me assusta não é só a possibilidade de perder um ou outro imóvel. É a ideia de vermos ruir, literalmente, fragmentos inteiros da memória coletiva de Manaus. Essas construções são testemunhas silenciosas de ciclos econômicos, épocas áureas, crises… são livros de pedra e reboco que a cidade ainda não terminou de ler.
E olha, o problema não surgiu do nada. Degradação progressiva, falta de manutenção adequada, ação do tempo e — por que não dizer? — certa negligência histórica criaram um cenário perfeito para o risco. O ministério foi claro: se nada for feito, podemos ter notícias piores pela frente.
E agora? O que vai ser feito?
A bola, agora, está com quem? O governo federal emitiu o alerta, mas a execução de medidas depende de uma dança complexa entre instâncias municipais, estaduais e a União. Enquanto isso, moradores, comerciantes e transeuntes seguem circulando por áreas que podem, a qualquer momento, se tornar cenário de uma tragédia anunciada.
Não é alarmismo barato — é precaução. É evitar que o pior aconteça. É proteger não só vidas, mas a própria identidade cultural de uma cidade que se orgulha (e vive) de seu passado.
Fica a pergunta: estamos cuidando direito do que é nosso? Porque patrimônio histórico não é enfeite — é raiz. E sem raiz, uma cidade vira só mais um endereço qualquer no mapa.