Tamanduás-mirins protagonizam 'UFC' na natureza em vídeo viral do Maranhão
Tamanduás-mirins em 'UFC' viralizam nas redes sociais

Tamanduás-mirins protagonizam 'UFC' na natureza em vídeo viral do Maranhão

Um vídeo que circula intensamente nas redes sociais nos últimos dias está chamando a atenção ao mostrar dois tamanduás-mirins, da espécie Tamandua tetradactyla, envolvidos em uma briga impressionante no município de Carolina, localizado no sul do Maranhão.

As imagens capturam os animais em uma postura inusitada: eles aparecem "de pé", em posição de confronto direto, agarrando-se mutuamente e emitindo vocalizações que lembram gritos. Essa cena curiosa rendeu comparações imediatas com lutas de artes marciais, especialmente com o Ultimate Fighting Championship (UFC), devido à intensidade e ao estilo do embate.

Comportamento normal explicado por especialista

Apesar do impacto visual, o comportamento registrado é considerado perfeitamente normal na natureza. Segundo Flávia Miranda, médica veterinária e fundadora do Instituto Tamanduá — uma organização não governamental referência em pesquisa e manejo de tamanduás, tatus e preguiças —, o que foi retratado é chamado de interação agonística.

Este termo técnico é utilizado para descrever conflitos e disputas entre indivíduos da mesma espécie. Flávia Miranda esclarece que esse tipo de confronto ocorre principalmente por dois motivos:

  • Defesa de território;
  • Disputa pelas fêmeas, especialmente em períodos reprodutivos.

A especialista detalha que, quando há uma população maior do que o ambiente consegue sustentar, a competição por recursos naturais tende a aumentar significativamente. Durante essas interações, os tamanduás podem adotar diferentes estratégias:

  1. Apenas se ameaçar;
  2. Recuar diante do oponente;
  3. Adotar posturas de intimidação.

Em alguns casos, como o visto no vídeo, o conflito evolui para um embate físico mais intenso, com o uso das garras afiadas e vocalizações características. Flávia Miranda ressalta que as brigas entre machos da mesma espécie são relativamente comuns, mas os tamanduás-mirins não costumam apresentar comportamentos agressivos frequentes em relação a outras espécies animais.

Anatomia peculiar permite postura bípede

Outro aspecto que chama a atenção nas imagens é a postura bípede adotada pelos tamanduás durante a briga. Essa habilidade está diretamente ligada à anatomia única desses animais, que pertencem à ordem Xenarthra.

Conforme explicado pela veterinária, esse grupo possui uma articulação extra na coluna vertebral, o que permite que eles se apoiem nas patas traseiras e na cauda — funcionando como um verdadeiro tripé — para situações de defesa ou confronto direto. Essa adaptação anatômica é crucial para sua sobrevivência e comportamento natural.

Importância da compreensão da fauna silvestre

O registro viral reforça a importância da compreensão adequada do comportamento da fauna silvestre, evitando interpretações equivocadas e interferências humanas desnecessárias nos ambientes naturais. Observar esses eventos sem intervenção é essencial para a conservação das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas.

Características do tamanduá-mirim

O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) é um mamífero típico do continente americano, amplamente distribuído pelo Brasil e presente em biomas como:

  • Cerrado;
  • Caatinga;
  • Amazônia;
  • Mata Atlântica;
  • Pantanal.

Eles são mais ativos durante o dia, mas podem apresentar comportamento noturno em áreas perturbadas pela ação humana. O animal mede entre 47 e 77 centímetros de comprimento e pode ser tanto terrestre quanto arborícola. Para se locomover e se equilibrar nas árvores, utiliza a cauda preênsil — uma adaptação anatômica que possibilita segurar e manipular objetos, além de auxiliar na escalada.

Sua alimentação é baseada principalmente em:

  • Cupins;
  • Formigas;
  • Mel e abelhas.

Como não possui dentes, engole o alimento sem mastigar. A trituração ocorre no estômago, que tem uma musculatura forte, semelhante à moela das aves. Nos períodos de descanso, costumam se abrigar em troncos ocos, tocas de tatus ou outras cavidades naturais. Diante de uma ameaça, adotam a postura ereta, conhecida popularmente como "abraço de tamanduá", abrindo os membros anteriores em forma de cruz para parecerem maiores e afastar possíveis agressores.