O Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Silvestres (Cetras) do Bosque Fábio Barreto, localizado em Ribeirão Preto (SP), realizou um marco importante para a conservação da fauna regional. Na última terça-feira, 30 de dezembro de 2025, 66 animais silvestres que passaram por processos de recuperação foram devolvidos ao seu habitat natural. A ação, realizada em parceria com a Polícia Militar Ambiental, representou a última soltura do ano e coroou um trabalho intenso de reabilitação.
Detalhes da operação de soltura
A operação foi cuidadosamente planejada para garantir o sucesso da reintegração. Os animais foram transportados e soltos em áreas de preservação ambiental com características adequadas para cada espécie, assegurando segurança e condições ideais para sua sobrevivência. Com essa ação, o Cetras encerra o ano de 2025 com um número expressivo: cerca de 800 animais silvestres reintegrados ao seu habitat natural entre janeiro e dezembro.
Entre os 66 indivíduos que ganharam liberdade, havia uma diversidade de espécies nativas da região. A lista incluiu:
- 19 periquitos-de-encontro-amarelo
- 9 corujinhas-do-mato
- 6 maritacas
- 6 gaviões-carijó
- 4 carcarás
- 3 avoantes e 3 suindaras
- 2 frangos-d’água
- 2 gatos-mourisco
- 2 ouriços-cacheiro
- 2 pica-paus-do-campo
- 2 saguis-de-tufo-preto
- 1 gavião-de-cauda-curta
- 1 galinha-d’água
- 1 quiri-quiri
O rigoroso processo de reabilitação
O biólogo Otávio Almeida, responsável técnico pelo Cetras, explicou que o trabalho segue critérios rigorosos desde a chegada dos animais ao centro. "As solturas acontecem em regiões onde os animais foram originalmente resgatados ou em áreas com ocorrência natural das espécies", afirmou Almeida. Essa prática é fundamental para garantir que os animais encontrem ambientes seguros e ecologicamente adequados.
O processo de reabilitação é minucioso e envolve múltiplas etapas. Quando um animal chega ao centro, ele passa por uma triagem completa, que inclui exames físicos, coleta de sangue e de fezes. Todas as análises são processadas no laboratório próprio do Bosque Fábio Barreto. Apenas são liberados os animais que apresentam comportamento preservado, capacidade de buscar alimento e condições plenas de sobreviver sozinhos na natureza, sempre com a autorização prévia do órgão ambiental estadual.
Importância regional e alerta à população
O Cetras Morro do São Bento é parte da rede de 28 centros de triagem do Estado de São Paulo e se consolidou como uma referência nacional. A unidade atende ocorrências de 61 municípios em um raio de aproximadamente 150 quilômetros da macrorregião de Ribeirão Preto. Os casos atendidos variam desde atropelamentos e filhotes órfãos até vítimas do tráfico de animais silvestres.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Planejamento, Cláudio Almeida, destacou a relevância do serviço. "O centro de triagem é fundamental não só para Ribeirão Preto, mas para o Brasil. São poucos no estado de São Paulo com essa estrutura", disse, enfatizando a contribuição direta do trabalho para a preservação da fauna.
A cabo Fabiana Alves, da Polícia Militar Ambiental, que apoiou a operação de soltura, reforçou um alerta crucial à população. Manter animais silvestres em cativeiro é crime ambiental sujeito a multa. A orientação, caso um animal silvestre apareça em quintais ou áreas urbanas, é acionar imediatamente a Polícia Ambiental ou levar o animal ao Bosque Fábio Barreto, sem tentar criá-lo em casa. Para proteger as espécies, os locais exatos de soltura não são divulgados, uma medida que evita novas capturas e dá tempo para a readaptação dos animais ao habitat natural.