São Paulo registra resgate de um sagui por dia, em média, aponta prefeitura
São Paulo resgata um sagui por dia, em média, aponta prefeitura

São Paulo registra resgate de um sagui por dia, em média, aponta prefeitura

A cidade de São Paulo tem enfrentado um aumento significativo no resgate de saguis, com uma média de um animal recolhido por dia, segundo dados divulgados pela Prefeitura. Entre janeiro e março deste ano, quase 90 saguis foram resgatados, o que equivale a aproximadamente 30 por mês. Esse número reflete uma tendência crescente ao longo dos anos, com 180 resgates em 2022 e 325 em 2023, representando um salto de cerca de 80% em quatro anos.

Urbanização e alimentação humana impulsionam fenômeno

Biólogos apontam que o avanço urbano sobre áreas verdes e o hábito de parte da população de oferecer alimento aos animais são os principais fatores por trás desse aumento. Com áreas verdes cada vez mais urbanizadas, os saguis passaram a circular com mais frequência em regiões ocupadas da cidade, utilizando a fiação como caminho, entrando em condomínios, aparecendo em parquinhos infantis e aproveitando árvores em calçadas para se aproximar das pessoas.

Isabela Saraiva, coordenadora de gestão de fauna silvestre da prefeitura, afirma que a expansão urbana e a oferta de alimento por humanos contribuem diretamente para esse comportamento. “A gente tem uma ocorrência bem grande de saguis, né? Eles estão indo para a cidade justamente por causa da expansão urbana, eles acabam se acostumando com as pessoas dando alimentos. Pode ser considerado um problema, sim, porque nesse contato próximo pode ocorrer situações de conflito e até transmissão de doenças”, explicou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Triagem e destino dos animais resgatados

Após o resgate, os saguis são encaminhados ao Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres da Prefeitura de São Paulo, localizado na Zona Oeste. No local, os animais passam por uma clínica em um espaço de triagem. Quando estão em boas condições, permanecem ali por cerca de uma semana antes de serem liberados na natureza.

A maior parte dos saguis encontrados na capital é formada por animais mestiços, resultado do cruzamento entre o sagui-de-tufo-preto, espécie original da região, e o sagui-de-tufo-branco, nativo do Norte do país. Biólogos destacam que a presença do sagui-de-tufo-branco em São Paulo está provavelmente ligada ao tráfico de animais silvestres, que levou a espécie para fora de sua área de ocorrência natural.

Tráfico de animais agrava cenário urbano

Além da urbanização, o tráfico de animais silvestres também se destaca como um fator crucial nesse cenário. Muitos desses animais chegam à capital pelas mãos de traficantes, agravando a situação. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, apenas no primeiro mês deste ano, a Polícia Ambiental recebeu mais de 4 mil denúncias em todo o estado e resgatou mais de mil animais.

Ao longo de todo o ano passado, foram registrados quase 50 mil chamados e cerca de 20 mil apreensões. Esses números reforçam a importância de denunciar esse tipo de crime, com as autoridades incentivando a população a utilizar o telefone 190 da Polícia Militar para reportar atividades suspeitas relacionadas ao tráfico de animais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar