Resgate de animais silvestres cresce 24% em Uberlândia em 2025, aponta Hospital Veterinário da UFU
O número de animais silvestres resgatados em Uberlândia e região registrou um aumento significativo de 24% no ano de 2025, conforme dados divulgados pelo Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ao todo, foram atendidos 2.587 animais no período, um crescimento expressivo em comparação com os 2.085 registrados em 2024. Entre os casos recentes que ilustram essa tendência está o resgate de uma jaguatirica, retirada de uma árvore no Bairro Grand Ville no último domingo, dia 1º.
Expansão urbana e redução de áreas naturais impulsionam resgates
O professor Márcio Bandarra, coordenador do Setor de Animais Silvestres da UFU, explicou que o aumento nos atendimentos está diretamente relacionado à redução das áreas naturais e à expansão urbana descontrolada. "Esses animais estão se aproximando cada vez mais da cidade porque a natureza vem sendo diminuída. Com isso, o contato com humanos aumenta e eles chegam com mais frequência ao Setor", afirmou Bandarra. A jaguatirica resgatada, com cerca de um ano e meio de idade, segue estável e passará por exames detalhados, incluindo ultrassonografia, para identificar possíveis lesões ou doenças.
Aves lideram ranking de resgates, representando 75% dos casos
As aves constituem a maior parte dos animais atendidos, correspondendo a impressionantes 75% do total de resgates. O ranking dos grupos mais resgatados em 2025 é o seguinte:
- Aves (incluindo papagaios, maritacas e pássaros diversos): 1.965 atendimentos
- Mamíferos (como tamanduá-bandeira, lobo-guará, veado-catingueiro, onça, jaguatirica e suçuarana): 370 atendimentos
- Répteis (serpentes e jabutis): 248 atendimentos
Segundo o coordenador, o crescimento no número de aves resgatadas está intimamente ligado ao desmatamento e à adaptação forçada desses animais ao ambiente urbano. "Elas estão cada vez mais nos centros urbanos, o que aumenta os acidentes. Atendemos muitos casos de trauma cranioencefálico, causados por colisões com prédios, paredes e fiações, além de ferimentos provocados por ação humana, como tiros e linhas com cerol", detalhou Bandarra. Ele também destacou que a maior oferta de alimento nas cidades contribui para a permanência das aves no meio urbano, levando-as a entrar em forros de casas e fazer ninhos em árvores.
Como os animais chegam ao hospital e casos emblemáticos
A maioria dos animais é levada ao hospital por meio de entrega voluntária, realizada por pessoas que encontram os bichos feridos ou em situação de risco. Além disso, órgãos ambientais, como a Polícia Militar de Meio Ambiente e o Ibama, também realizam encaminhamentos regulares. Um dos casos acompanhados pela equipe é o da veado-catingueira Maria, resgatada após ser atropelada em Paracatu, no Noroeste de Minas, em junho do ano passado. Encaminhada pelo Ibama, a fêmea deu à luz o filhote Dengo em outubro, após uma gestação de sete meses. Ambos seguem em tratamento no hospital, com planos de transferência para o campus Glória da UFU na primeira semana de fevereiro, onde terão celas maiores e maior contato com a natureza antes da soltura, prevista para cerca de dois meses após a adaptação.
Espécies ameaçadas de extinção preocupam especialistas
Márcio Bandarra alertou para o aumento preocupante de resgates envolvendo espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira. "Incêndios descontrolados e o crescimento urbano desorganizado, sem planejamento voltado para a fauna, são fatores que agravam esse cenário", concluiu o especialista. Este dado reforça a urgência de políticas públicas e ações de conservação para proteger a biodiversidade regional frente à pressão urbana e ambiental.