Periquitos sobrevivem a queda de árvore no MA: 23 aves em tratamento após tragédia que matou 350
Periquitos sobrevivem a queda de árvore no MA: 23 em tratamento

Periquitos sobrevivem a queda de árvore no MA: 23 aves em tratamento após tragédia que matou 350

Um acidente ambiental de grandes proporções mobilizou equipes de resgate no interior do Maranhão após a queda de um eucalipto de 32 metros de altura em Lajeado Novo, município localizado a aproximadamente 500 quilômetros da capital São Luís. O desastre resultou na morte de 350 periquitos-rei (Eupsittula aurea), espécie que mede entre 25 e 29 centímetros, mas permitiu o resgate de 27 aves com vida.

Situação atual dos animais resgatados

Dos 27 periquitos resgatados, infelizmente quatro não resistiram às consequências do acidente. Três aves morreram durante o transporte para o local de tratamento e uma faleceu na madrugada do último sábado (31). As 23 restantes seguem em tratamento no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), unidade do Ibama localizada em São Luís.

O coordenador do centro, Roberto Veloso, informou que o estado de saúde das aves é considerado estável. "As aves estão debilitadas, mas respondendo bem ao tratamento", afirmou o especialista. Muitos animais chegaram ao centro com fraturas múltiplas, lesões traumáticas e casos de desenluvamento – condição caracterizada pelo arrancamento da pele.

Protocolo de atendimento e recuperação

O médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Leonardo Moreira, detalhou o caminho percorrido pelas aves desde o resgate. Imediatamente após o acidente, as aves foram organizadas por gravidade das lesões, tiveram fraturas imobilizadas e receberam hidratação e medicação para dor.

O transporte ocorreu em duas etapas: primeiro de Lajeado Novo para Imperatriz, e depois para São Luís, onde recebem atendimento especializado no Cetas. O centro conta com uma equipe de 15 profissionais, incluindo biólogos, médicos-veterinários, engenheiros agrônomos e zootecnistas.

O protocolo de recuperação segue quatro etapas principais:

  1. Triagem e avaliação clínica: As aves são classificadas quanto à idade (todas resgatadas são jovens ou adultas) e entram em quarentena para observação. Muitos periquitos apresentavam hipovolemia (baixo volume sanguíneo) além das fraturas.
  2. Estabilização: Fase atual do tratamento, que envolve correção de problemas como hipotermia e desidratação. "Quando falamos em estabilização, é nesse sentido: reidratar os animais, manter a temperatura adequada e garantir que eles consigam retomar as funções normais", explicou o coordenador do Cetas.
  3. Observação: Após recuperação inicial, as aves saem da quarentena para recintos de manutenção e depois para corredores de voo, onde treinam e ganham força.
  4. Reabilitação e soltura: As aves ficam em viveiros até recuperarem capacidade de viver sozinhas, passando por aclimatação antes da soltura em áreas monitoradas pelo Ibama.

Contexto e números do centro

O Cetas de São Luís tem registrado significativa movimentação de animais silvestres. Apenas em 2025, o centro recebeu aproximadamente 2,2 mil animais, demonstrando a importância dessa estrutura para a preservação da fauna maranhense.

As aves resgatadas estão recebendo alimentação específica e medicação para acelerar a recuperação. O trabalho dos profissionais do centro representa uma esperança para esses periquitos-rei que sobreviveram a uma das maiores tragédias envolvendo aves silvestres recentemente registradas no estado.

A comunidade científica e ambiental acompanha com atenção a evolução do caso, que evidencia tanto os riscos que a fauna silvestre enfrenta quanto a importância de centros especializados no resgate e reabilitação de animais.