Rio Araguaia: região onde peixes gigantes de 2 metros são pescados e soltos
Peixes de 2 metros pescados e soltos no Rio Araguaia

Rio Araguaia: santuário de peixes gigantes onde pesca esportiva convive com preservação

O majestoso Rio Araguaia, que serpenteia por diversos estados e municípios brasileiros, incluindo Nova Crixás em Goiás, constitui um verdadeiro refúgio para uma rica e diversificada vida aquática. Nesse ecossistema singular, uma parcela significativa das espécies é rigorosamente protegida por legislações de preservação ambiental, criando um cenário onde a pesca esportiva se alia à conservação.

Piraíba: o gigante das águas que impressiona pescadores

Entre os habitantes mais impressionantes do rio está a piraíba, um peixe de couro que pode alcançar dimensões superiores a 2 metros de comprimento. Recentemente, um exemplar foi fisgado na região conhecida como viúva, no município de Nova Crixás, pelo experiente guia de pesca Wesley Silva. Seguindo estritamente as normas de preservação, o animal foi cuidadosamente medido, pesado e, em seguida, devolvido às águas do Araguaia.

Rodrigo Viúva, tecnólogo ambiental e guia de 42 anos com profundo conhecimento da região, relata que os visitantes atraídos pela pesca esportiva frequentemente se surpreendem não apenas com a atividade pesqueira, mas também com a exuberante beleza natural e a vida selvagem circundante. "Tem bastante anta, são um pouco mais difíceis de filmar no rio, mas às vezes, no trajeto, conseguimos registrar. Além das piraíbas, temos pirararas e tambaquis", detalha Rodrigo, enfatizando a biodiversidade local.

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Regras rígidas e o evento peculiar da "blitz do tambaqui"

O local se consolida como uma opção para quem busca tranquilidade e contato com a natureza, com o foco principal na pesca. Rodrigo destaca um evento curioso organizado por pescadores, apelidado de "blitz do tambaqui", no qual barcos se alinham estrategicamente no rio para facilitar a captura dessa espécie específica.

Conforme explica o guia, atualmente, apenas o tambaqui – considerado uma espécie invasora na região – pode ser pescado e consumido, mas exclusivamente fora do período da piracema, quando a reprodução dos peixes ocorre. "É crucial ressaltar que essas regras podem variar significativamente entre os diferentes estados banhados pelo Rio Araguaia", alerta Rodrigo, sublinhando a importância de se informar sobre a legislação local.

Proibição de abate e a valorização do peixe vivo

Em um episódio recente, um grupo de pescadores, incluindo Wesley Silva, fisgou uma piraíba de 1,8 metro no Rio Araguaia, em Nova Crixás, no início de abril. Wesley foi enfático ao explicar que o animal não pode ser consumido e deve ser imediatamente devolvido à água. "Faz dó matar um peixe desse. Ele vivo vale muito mais, pois traz um movimento turístico para o Araguaia, para as pousadas. Vem gente de todo o canto do Brasil para praticar essa pescaria esportiva", argumenta o guia, destacando o valor econômico e ecológico da preservação.

De acordo com a lei estadual vigente, a piraíba e mais sete espécies estão expressamente proibidas de serem abatidas na Bacia Hidrográfica do Araguaia-Tocantins. A lista inclui:

  • Bargada
  • Jaú
  • Piranambú, surubim-de-canal
  • Pirapitinga-do-sul
  • Piraíba, filhote, piratinga
  • Pirarara
  • Pirarucu, pirosca
  • Rubinho

Wesley Silva compartilhou com a TV Anhanguera que, em 2025, conseguiu pescar duas piraíbas de tamanho excepcional: uma medindo 2,05 metros e outra atingindo 2,16 metros. "Deus abençoe que este ano será um ano muito bom de peixe", torceu o guia, expressando esperança para a temporada de pesca esportiva.

O Rio Araguaia continua a ser um exemplo de como a atividade pesqueira pode coexistir harmoniosamente com a conservação ambiental, atraindo entusiastas de todo o país enquanto protege seus gigantes aquáticos para as futuras gerações.

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