Biológico captura momento único do nascimento de lagartos teiú em Santa Catarina
Um biólogo da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) registrou um evento raro e fascinante: o nascimento de diversos filhotes de lagarto teiú em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. A cena ocorreu após ele receber uma caixa com ovos de um morador local, que demonstrou preocupação com a possível proliferação de animais em seu quintal.
"Foi uma das coisas mais inéditas que já presenciei", relatou o biólogo Christian Raboch, emocionado com a experiência. O vídeo do nascimento, publicado por ele na quinta-feira (19), acumulou impressionantes mais de 873 mil visualizações até o domingo (22), viralizando nas redes sociais.
Resgate dos ovos e preocupação do morador
Raboch explicou que recebeu os ovos no início do mês. O morador os recolheu após encontrá-los no jardim, temendo que pudessem ser de cobras ou lagartos, o que resultaria em muitos animais nascendo no local. "Ele pensou: 'E se for cobra ou lagarto? Vai nascer bicho demais aqui'. Então acabou tirando os ovos", contou o biólogo.
No vídeo, Christian mostra a caixa repleta de ovos sobre a terra. Em seguida, aparecem dois filhotes já fora da casca, e ele auxilia um terceiro que já estava com o focinho para fora. Os três foram levados para uma área de mata para serem devolvidos à natureza. Posteriormente, o registro revela 16 lagartos já nascidos, que também foram soltos.
Características e curiosidades da espécie Salvator merianae
Os animais pertencem à espécie Salvator merianae, conhecida como teiú-comum. O biólogo aproveitou para esclarecer aspectos interessantes sobre esses répteis:
- Os ovos levam entre 60 e 90 dias para eclodir;
- Os pais não chocam os ovos, como fazem as aves;
- A umidade é essencial para o desenvolvimento do embrião;
- Os filhotes já nascem independentes dos pais;
- Geralmente não há cuidado parental, mas um adulto pode vigiar o ninho;
- Nem todos os filhotes de uma mesma ninhada sobrevivem;
- Os teiús atingem a fase adulta entre 2 e 3 anos.
Cuidados especiais durante o período de incubação
Sobre os cuidados enquanto mantinha os ovos, Raboch destacou a necessidade de atenção à umidade. "Se os ovos ficam em um lugar muito seco, o embrião não se desenvolve. Então eu tinha que ficar borrifando água para manter a umidade ideal", explicou.
Ele também alertou que não é recomendado abrir os ovos antes do momento adequado. Ajudar o filhote só foi possível porque ele já estava rompendo a casca sozinho. "O animal pode nascer prematuro e morrer. Ele já tinha colocado o focinho para fora, então só dei uma ajudinha. Não posso forçar, senão atrapalho o desenvolvimento", afirmou o biólogo.
Este episódio ressalta a importância da conscientização sobre a fauna silvestre e o papel crucial de profissionais como Christian Raboch na preservação e educação ambiental.



