MPF investiga proteção à fauna marinha na Via Costeira de Natal após estudo alarmante
MPF investiga proteção à fauna marinha na Via Costeira de Natal

MPF abre investigação sobre proteção à fauna marinha na Via Costeira de Natal

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação para acompanhar de perto as medidas de proteção à fauna marinha na Via Costeira de Natal, no Rio Grande do Norte. A ação foi desencadeada após o recebimento de uma Nota Técnica fundamentada em um estudo detalhado realizado pelo Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam).

Estudo identifica ecossistema essencial para espécies ameaçadas

O estudo do Cemam identificou o trecho entre a praia de Ponta Negra e a Via Costeira como um ecossistema essencial para a fauna marinha do litoral potiguar. Esta área desempenha funções críticas como:

  • Zona de alimentação e repouso
  • Sítio reprodutivo para tartarugas marinhas
  • Corredor ecológico vital para aves, golfinhos e baleias

Das cinco espécies de tartarugas marinhas registradas no Brasil, três utilizam esse trecho para desova, com destaque especial para a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), classificada como criticamente ameaçada de extinção.

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MPF solicita informações a órgãos ambientais

O MPF encaminhou ofícios à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) do Rio Grande do Norte para levantar informações essenciais à apuração. Entre os pontos solicitados estão:

  1. Critérios de licenciamento ambiental na Via Costeira
  2. Exigência de projetos para reduzir a fotopoluição (iluminação artificial excessiva)
  3. Respeito às Áreas de Preservação Permanente (APPs) de 300 metros de restinga
  4. Fiscalização do tráfego de veículos na faixa de areia
  5. Existência de campanhas de educação ambiental para empresários e trabalhadores

Números alarmantes revelam situação crítica

Dados do monitoramento realizado entre 2024 e 2025 apresentam números preocupantes:

  • 76 ninhos de tartarugas marinhas registrados em apenas 7 km de extensão
  • Mais de dez pontos de desova por quilômetro em alguns trechos
  • Crescimento expressivo de encalhes da megafauna marinha:
    • 3 ocorrências em 2023
    • 17 ocorrências em 2024
    • 23 ocorrências em 2025
    • 13 casos apenas nos primeiros 45 dias de 2026

A fotopoluição proveniente de postes, hotéis e veículos, juntamente com o tráfego de automóveis na areia, representam riscos diretos à sobrevivência tanto de filhotes quanto de adultos das espécies marinhas.

Área requer atenção urgente das autoridades

A investigação do MPF busca garantir que as medidas de proteção ambiental sejam implementadas de forma efetiva, preservando este corredor ecológico vital para a biodiversidade marinha potiguar. A situação exige ações coordenadas entre órgãos públicos, iniciativa privada e sociedade civil para reverter os indicadores negativos e proteger as espécies ameaçadas que dependem deste habitat.

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