Macaco-prego invade residências no Santa Marta e causa pânico entre moradores do Rio
Uma situação incomum e preocupante tem alterado a rotina dos moradores da comunidade Santa Marta, localizada em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Há aproximadamente 15 dias, um macaco-prego com comportamento agressivo vem invadindo casas, causando destruição, tentativas de ataque e até mesmo um caso de mordida que exigiu atendimento médico. O animal aparece com frequência durante a madrugada e no início da manhã, circulando por becos, lajes e áreas próximas às residências, conforme registrado em vídeos amplamente compartilhados nas redes sociais.
Medo constante e alteração na rotina da comunidade
A presença constante do primata tem gerado um clima de insegurança e alerta permanente entre os residentes. Muitos passaram a evitar abrir portas e janelas em determinados horários, especialmente em casas com crianças pequenas, onde o temor de encontros inesperados é maior. Thiago Firmino, morador do Santa Marta e guia local, explica que, embora a aparição de macacos na região não seja incomum devido à proximidade com a mata, o comportamento deste animal específico foge do padrão observado anteriormente.
"Normalmente eles aparecem em grupo, pegam comida e voltam para a mata. Esse macaco fica circulando sozinho, entra nas casas, abre janelas, armários, geladeira. É um animal adulto, aparentemente estressado e com fome", relatou Thiago. Ele destacou que o principal medo da comunidade é que o macaco possa morder uma criança ou bebê, dada sua força e comportamento imprevisível.
Casos de invasão e incidente grave com mordida
Álissa Paulino, mãe de duas crianças de 1 e 3 anos, conta que o macaco já esteve em sua casa pelo menos quatro vezes. Em uma dessas ocasiões, o animal conseguiu entrar na residência, revirou objetos e danificou alimentos, causando pânico na família. "Tenho crianças pequenas e vivo com medo. Não consigo abrir a casa. É como viver em um cárcere", afirmou Álissa, que acionou o Corpo de Bombeiros três vezes, mas recebeu atendimento no local apenas uma vez, com duração inferior a 20 minutos.
O caso mais grave ocorreu no dia 18 de janeiro, quando a monitora de van escolar Rosangela Carmo foi mordida pelo macaco ao tentar afastá-lo. "Quando tentei afastar, ele me mordeu de raspão. Não foi profundo, mas fiquei assustada", disse Rosangela, que procurou atendimento no Hospital Municipal Rocha Maia, onde iniciou o protocolo de vacinação, incluindo doses de vacina e soro antirrábico. Os médicos alertaram sobre o risco de transmissão de doenças, reforçando a importância do atendimento rápido.
Orientações dos órgãos ambientais e de resgate
Em notas enviadas, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC), por meio da Patrulha Ambiental, explicaram que o macaco-prego é um animal silvestre em vida livre, circulando em uma área urbana inserida na zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca. Segundo os órgãos, não há indicação técnica para resgate imediato quando o animal está solto em área aberta, pois a retirada pode aumentar os riscos para a população e para o próprio primata.
A SMAC informou que o comportamento do animal pode estar relacionado à oferta de alimento em algum momento, condicionando-o a se aproximar de pessoas em busca de comida fácil. Até o momento, não houve chamados registrados em janeiro pelo canal 1746 solicitando a atuação da Patrulha Ambiental no local. As orientações dos órgãos incluem:
- Não tocar, não alimentar e não tentar capturar o animal
- Em caso de risco iminente à vida ou se o animal estiver preso em local fechado com possibilidade de contenção segura, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193
- Para situações relacionadas ao manejo ambiental, entrar em contato com a Prefeitura do Rio pelo 1746, informando a localização do animal
- Manter crianças afastadas e evitar circulação em áreas onde o animal esteja presente
Apelo dos moradores por segurança e acompanhamento
Apesar das orientações técnicas, os moradores continuam vivendo com medo, especialmente famílias com crianças pequenas. Eles afirmam não desejar que o animal seja ferido, mas pedem um acompanhamento mais efetivo das autoridades para prevenir novos incidentes. "Do jeito que está, alguém pode acabar se machucando. A gente quer segurança para os moradores e também para o animal", ressaltou Thiago Firmino.
A situação evidencia os desafios da convivência entre áreas urbanas e habitats naturais, destacando a necessidade de medidas equilibradas que protejam tanto a população quanto a fauna silvestre. Enquanto isso, a comunidade do Santa Marta segue em alerta, esperando por uma solução que traga paz e segurança ao cotidiano local.