Gambá cai em tambor com graxa e óleo em SC, é resgatado e vídeo viraliza com 2,8 milhões de visualizações
Gambá cai em tambor com graxa em SC, é resgatado e vídeo viraliza

Gambá cai em tambor com graxa e óleo em mecânica de SC e é resgatado em ação que viraliza nas redes

Um gambá foi resgatado em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, após ser encontrado dentro de um tambor cheio de óleo e graxa em uma oficina mecânica. O resgate ocorreu na sexta-feira (27) e, até esta segunda-feira (30), o vídeo da operação já havia acumulado impressionantes 2,8 milhões de visualizações nas redes sociais, tornando-se um fenômeno viral.

Resgate detalhado e cuidados veterinários

No vídeo que circula amplamente, é possível observar o animal caído e completamente imóvel dentro do recipiente. Especialistas em resgate animal realizaram um procedimento minucioso: retiraram a graxa do corpo do gambá, deram banho com sabão neutro, secaram o animal e o colocaram em um recipiente com luz de aquecimento para auxiliar na recuperação. Após cerca de dois dias sob cuidados veterinários, período em que foi limpo e alimentado adequadamente, o gambá foi considerado pronto para ser devolvido ao seu habitat natural.

Tanatose: mecanismo de defesa que enganou muitos

Apesar de aparentar estar paralisado ou ferido, o biólogo Christian Raboch, que participou ativamente da ação de resgate, esclareceu que o gambá não estava machucado. Segundo o especialista, o animal estava praticando a tanatose, um mecanismo de defesa fascinante no qual o animal se finge de morto ao se sentir ameaçado ou sob estresse intenso.

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"É um método de defesa que os gambás utilizam. Quando ele vê que não consegue escapar ou quando sofre um estresse muito elevado, ele se finge morto. E ali quando pegamos ele para dar o banho, ele ficou dando aquele sorrisinho, mas estava realizando tanatose", explicou Raboch em detalhes.

Outras estratégias defensivas e importância ecológica

Antes de recorrer à tanatose, no entanto, o gambá tenta outra forma de defesa. Como elucidou Raboch, ele libera um cheiro forte por meio de uma glândula próxima à região anal, um líquido com odor desagradável que ajuda a afastar possíveis predadores. "Se isso não funciona, aí sim ele se finge de morto", afirmou o biólogo.

Conhecidos popularmente como saruês, esses animais são marsupiais – possuem uma espécie de bolsa no ventre para carregar os filhotes – e exercem um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas. Eles se alimentam de escorpiões, aranhas e até cobras, contribuindo significativamente para o controle de pragas. Além disso, ajudam na dispersão de sementes e na recuperação de áreas degradadas.

Preconceito e adaptação urbana

O gambá, segundo Raboch, é uma espécie de animal silvestre que se acostumou a viver próximo aos seres humanos, habitando tanto florestas quanto áreas urbanas. "É um animal que sofre muito preconceito por parecer com um rato grande, mas na verdade ele é um marsupial, um primo distante do canguru", esclareceu o especialista.

De acordo com o biólogo, o gambá se alimenta de frutas, mas também de animais menores, como ratos, aranhas, escorpiões e cobras. "Inclusive, ele é imune a picadas de aranhas e cobras. Então, ele não traz malefícios nenhum, muito pelo contrário: faz parte fundamental do equilíbrio do ecossistema", reforçou Raboch.

Orientações para encontro com animais silvestres

O Corpo de Bombeiros e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) orientam que, em casos envolvendo animais silvestres que necessitem de resgate, a população não tente capturar o animal por conta própria. A recomendação é acionar imediatamente a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros, evitando riscos tanto à segurança das pessoas quanto à integridade do animal.

Este resgate em Santa Catarina não apenas salvou um animal importante para o meio ambiente, mas também serviu como uma valiosa oportunidade de educação ambiental, mostrando a importância dos gambás e a necessidade de proteção à fauna silvestre brasileira.

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