Filhote da maior águia do planeta morre após cair do ninho no Pantanal
Um filhote de harpia, espécie reconhecida como a maior águia do mundo, faleceu tragicamente após uma queda do ninho no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O incidente ocorreu no início de março, quando o animal caiu de uma árvore alta na região de Corumbá e ficou preso entre galhos, impossibilitado de retornar ao ninho. A cena foi capturada por câmeras de monitoramento do projeto Planeta Aves, que vinha acompanhando o único ninho ativo da espécie na área.
Monitoramento constante e comportamento natural
O flagrante foi realizado por uma câmera do projeto Planeta Aves, que monitora o casal de harpias há vários meses. As imagens revelam a rotina da família, com os adultos alternando voos para buscar alimento e cuidar do filhote. Segundo especialistas, aves de rapina como a harpia não possuem comportamento de resgate. Após a queda, a mãe permaneceu próxima ao local, mas não conseguiu salvar o filhote, uma situação considerada parte da dinâmica natural da vida selvagem.
Mesmo após o incidente, o casal continuou frequentando o ninho e levando folhas verdes para a estrutura. Esse comportamento pode indicar a manutenção do vínculo entre as aves e até uma possível tentativa futura de reprodução. Nas redes sociais, o projeto Planeta Aves esclareceu que situações como essa fazem parte dos processos naturais, embora difíceis, da vida selvagem.
Nascimento e descoberta do ninho ativo
O filhote de harpia nasceu no início de janeiro de 2026, no Maciço do Urucum, em Corumbá. O nascimento foi confirmado pelo biólogo e fotógrafo Gabriel Oliveira, que acompanha o único ninho ativo da espécie na região. Imagens registradas no local mostraram a fêmea ao lado do filhote ainda nos primeiros dias de vida, com a estimativa de que o nascimento tenha ocorrido na primeira quinzena de janeiro.
O ninho foi localizado durante uma atividade de turismo de observação de aves e vida selvagem, realizada pela empresa Icterus Ecoturismo. A partir daí, teve início o monitoramento contínuo da espécie, em parceria com o projeto Planeta Aves. Pesquisadores buscavam um ponto de reprodução da harpia no Pantanal havia mais de dez anos, com o primeiro registro da espécie na região ocorrendo em 2012. A descoberta do ninho ativo, confirmada em 2025, representou um avanço significativo para os estudos sobre a reprodução da espécie no bioma.
Características e ameaças à espécie
A harpia, também conhecida como gavião-real, é considerada a maior águia do planeta, podendo atingir até 2,20 metros de envergadura e possuindo garras fortes usadas para capturar presas de médio porte. O cuidado com os filhotes costuma durar longos períodos, com a mãe permanecendo quase todo o tempo no ninho nos primeiros 60 dias. Depois desse período, ela passa a sair para caçar junto com o macho, retornando com menos frequência. Filhotes podem permanecer sob cuidados dos pais por até dois anos e meio, dependendo do sexo.
Apesar de sua imponência, a espécie enfrenta sérias ameaças. A harpia é classificada como "quase ameaçada" pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e como "ameaçada" na lista estadual de Mato Grosso do Sul. Entre os principais riscos estão a perda de habitat natural e a caça ilegal, fatores que exigem esforços contínuos de conservação para proteger essa majestosa ave.



