Elefante-marinho busca sombra de carro em praia de Tramandaí e causa surpresa
Elefante-marinho surpreende veranistas em Tramandaí

Um visitante inusitado causou surpresa e mobilização entre veranistas na praia de Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (31). Um elefante-marinho-do-sul macho saiu das águas e foi parar na movimentada Avenida Beira Mar, na região central da cidade, em busca de um refúgio para se proteger do sol intenso.

Fuga do calor leva animal para área urbana

A cena incomum levou o Comando Ambiental da Brigada Militar a isolar a área para garantir a segurança tanto do público quanto do animal. Durante a manhã, o elefante-marinho foi visto escorado em um carro estacionado, aproveitando a sombra do veículo. Por volta do meio-dia, quando o sol estava mais forte, o animal decidiu retornar ao mar.

O médico veterinário Derek Blaese de Amorim, do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da UFRGS, explicou o comportamento. "Ele está fazendo a troca de pelagem", afirmou. Esse processo ocorre anualmente e pode durar cerca de quatro semanas, período em que os animais costumam descansar nas praias.

Retorno ao mar gera comoção na faixa de areia

O momento do retorno ao oceano foi o que mais chamou a atenção. O elefante-marinho optou por um caminho que passava pelas dunas e acessou diretamente a faixa de areia onde havia banhistas. Veranistas correram para retirar cadeiras, guarda-sóis e caixas térmicas do trajeto do animal, enquanto policiais do Comando Ambiental orientavam a população a manter a distância.

O espécime avistado é um macho que ainda não atingiu a idade reprodutiva e, segundo o veterinário, "está com uma ótima condição corporal". Amorim descreveu que, durante este período de muda de pele, é normal que o animal faça movimentos de entrada e saída da água, fique na areia cavando buracos e se cobrindo com ela. "Esse comportamento é parte da biologia desse animal", completou.

Presença não é frequente, mas é comum no litoral brasileiro

Os elefantes-marinhos-do-sul são animais de grande porte. Machos adultos podem medir entre 4 e 6 metros de comprimento e pesar até 4 toneladas. Conforme o especialista do Ceclimar, a presença deles no Litoral do Brasil "não é frequente, mas é comum".

Eles possuem colônias reprodutivas na Argentina e, ocasionalmente, aparecem também em território brasileiro. "A gente tem registros dessas espécies aqui no Litoral do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo também", detalhou Amorim.

Diante da situação, o Ceclimar avaliou que não havia necessidade de realocar o animal ou levá-lo para um centro de reabilitação. "Até porque é um animal com um tamanho bastante grande e esse manejo seria difícil. E geraria um estresse muito grande para o animal", justificou o veterinário.

Orientações para a população

As autoridades ambientais reforçam as recomendações para quando um animal selvagem como este aparece no litoral:

  • Manter uma distância mínima de 10 metros do animal.
  • Não importuná-lo, tentar alimentá-lo ou tocá-lo.
  • Impedir que animais de estimação se aproximem.

"Ele não é um animal agressivo, mas se ele se sentir ameaçado, como todo animal silvestre, ele vai se defender. Então, é importante que essas medidas sejam tomadas pelas pessoas. No mais, é a gente aproveitar essa visita não comum aqui no Litoral do Rio Grande do Sul neste fim de ano", concluiu Derek Amorim.