Cuidadora de cão Orelha desmente boatos sobre morte do animal comunitário em Florianópolis
A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, no Norte de Florianópolis, gerou comoção entre moradores e mobilizou a vizinhança. O animal, que era um verdadeiro mascote local, foi encontrado agonizando e não resistiu aos ferimentos graves que apresentava. A investigação policial já aponta que ele foi vítima de uma agressão violenta, com a polícia apurando o possível envolvimento de adolescentes na região.
Versões falsas nas redes sociais
Nas redes sociais, o caso rapidamente viralizou, alcançando repercussão não apenas na cidade e no estado, mas também em outras partes do país. Contudo, junto com a comoção, surgiram diversas versões distorcidas sobre as circunstâncias da morte de Orelha. Em entrevista ao programa Fantástico, Fátima Oliveira, uma das moradoras responsáveis por cuidar do cão comunitário, rebateu firmemente essas informações, classificando-as como falsas.
“Inventaram um monte de coisa, de eutanásia, de beisebol, de prego, não tem nada disso”, afirmou Fátima, destacando a disseminação de boatos infundados que circularam amplamente nas plataformas digitais.
Veterinário descarta acidente e confirma agressão
O Fantástico também conversou com o veterinário Derli Royer, profissional que prestou o primeiro atendimento emergencial ao cão Orelha após ele ser encontrado agonizando. Royer relatou que o animal apresentava lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação e ausência de reflexos.
“Lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo, e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo”, descreveu o veterinário. “Foi tentado dar os primeiros procedimentos, a soroterapia e tentar levantar ele, mas, como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida.”
Questionado sobre a possibilidade de Orelha ter sofrido um acidente, Derli Royer foi categórico: “Foi uma agressão. Descarto um acidente.” Sua declaração reforça a linha investigativa que trata o caso como um ato de violência deliberada contra o animal.
Orelha: um mascote da comunidade
Orelha não tinha um tutor único, sendo considerado um cão comunitário, cuidado coletivamente por moradores e comerciantes da Praia Brava. Ele vivia no bairro há pelo menos dez anos, integrando-se à rotina local, circulando entre pescarias, festas e interagindo com residentes e turistas, muitas vezes tirando fotos com eles. O último registro de Orelha vivo foi no dia 4 de janeiro, quando foi visto passeando tranquilamente pela região.
Resgate e morte trágica
Na segunda-feira seguinte, uma moradora encontrou o cão agonizando debaixo de um carro e o levou imediatamente para atendimento veterinário. O profissional de emergência constatou as lesões já mencionadas, e mesmo com a administração de soroterapia, Orelha não resistiu e faleceu pouco tempo depois. A gravidade das injúrias levou o veterinário a descartar qualquer hipótese de acidente, sustentando a tese de agressão.
Investigação em andamento
A Polícia Civil continua conduzindo a investigação, ouvindo testemunhas e analisando imagens de câmeras de segurança da área. Até o momento, não há registros visuais do exato momento da agressão, mas o conjunto de indícios coletados tem direcionado os investigadores a apurar o envolvimento de adolescentes que costumavam frequentar a região durante o período de verão.
Uma moradora já registrou um boletim de ocorrência no dia 6 de janeiro para relatar o caso. A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências de quatro adolescentes apontados como suspeitos, bem como em endereços ligados aos responsáveis pelos jovens. As diligências buscam esclarecer os fatos e identificar os responsáveis pela morte do querido cão comunitário.