Bugio que atacou crianças em Guapiara segue no bairro, mas sem novos incidentes
Bugio de Guapiara convive com moradores após ataques a crianças

Exatamente um ano após um bugio atacar duas crianças em Guapiara, no interior de São Paulo, a situação do animal e das vítimas segue sendo acompanhada por moradores e autoridades. A família de uma das crianças atacadas afirma que o macaco ainda convive com os residentes do bairro Fazendinha, mas sem repetir os incidentes violentos que levaram as vítimas ao hospital em 2023.

Convívio atual e relatos da família

Marcelly Ferreira, mãe de uma das crianças atacadas, descreve a relação atual com o bugio como "harmônica". Ela conta que o animal é avistado com frequência, mas mantém distância, especialmente por causa de um cachorro grande que ela tem em casa. "Nós vimos ele muitas vezes depois disso. Ele costuma ficar na árvore e não desce por causa do cachorro grande que eu tenho em casa. Depois dos dois ataques, ele não mexeu mais com ninguém", relata Marcelly.

Sua filha, que sofreu ferimentos no ataque, passou por um ciclo completo de vacinas para prevenção de doenças e hoje está totalmente recuperada, levando uma vida normal. A outra vítima foi um bebê de um ano e quatro meses, que também se recuperou dos ferimentos.

Tentativa de captura e fuga do animal

Na época dos ataques, a Prefeitura de Guapiara e a Defesa Civil tentaram capturar o bugio para realocação. No entanto, o animal, que estava bastante agitado e cercado por moradores, conseguiu escapar por um vão da gaiola em que havia sido colocado, frustrando a operação. As famílias das crianças fizeram um apelo público para que medidas fossem tomadas a fim de evitar novos casos.

Visita técnica e orientações da Semil

A Coordenadoria de Fauna Silvestre da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semil) realizou uma visita técnica ao bairro após os incidentes. Em nota enviada ao g1, a Semil informou que não houve novos registros de ataques ou interações envolvendo primatas que representassem risco à população desde então, e que não foi comunicada sobre novos aparecimentos do bugio. A pasta alega que não precisou fazer mais intervenções na área após a visita técnica.

A Semil explica que os bugios são animais silvestres que vivem em áreas de mata, mas devido às alterações ambientais e ao avanço urbano, sua aproximação com pessoas tem se tornado mais frequente. "É bem provável que o macaco em questão esteja dispersando, ou seja, teria sido expulso do grupo e está procurando outro lugar para se fixar. Neste deslocamento, a população, por achar a espécie carismática e se penalizar pelo animal, acaba oferecendo alimento para ele. Com a oferta de alimentos, o animal fica mais próximo das pessoas e acaba por se fixar no local. Entretanto, o bugio permanece com seus instintos naturais e, quando se sente ameaçado ou assustado, pode atacar pessoas", destaca a nota.

Prevenção e curso de convivência

Como forma de prevenção, a Semil oferece um curso à distância sobre convivência com primatas não humanos, reforçando a importância de não alimentar animais silvestres e manter distância para evitar interações e acidentes. A pasta enfatiza que é fundamental seguir essas orientações para garantir a segurança tanto da população quanto da fauna.

O caso em Guapiara serve como um alerta sobre os desafios da coexistência entre humanos e animais silvestres em áreas urbanizadas, destacando a necessidade de políticas públicas e educação ambiental para mitigar riscos.