O registro de bagres mortos e vivos na faixa de areia das praias de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, tem preocupado moradores e turistas. O fenômeno, que se intensifica no verão, levanta alerta sobre os riscos de acidentes graves com o peixe, que possui ferrões serrilhados e uma glândula de veneno.
O perigo escondido na areia e no mar
Segundo o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), os acidentes com bagres estão entre as ocorrências mais comuns para os guarda-vidas da região. O primeiro-tenente Guilherme Vegse, do GBMar, explica que esse tipo de ferimento faz parte da rotina e até do treinamento das equipes. Os casos são mais frequentes em praias próximas a rios, desembocaduras e áreas de mangue, ambientes de reprodução da espécie.
O peixe pode ser encontrado tanto no mar quanto já sem vida na areia, vítima do fim do ciclo natural ou da pesca. "O bagre possui três ferrões muito grandes, um na dorsal e dois nas nadadeiras laterais. É um osso duro, que não se quebra fácil. Ao contrário, ele penetra profundamente no pé ou na mão", alerta o tenente Vegse.
Por que o ferimento é tão grave?
O risco principal está na anatomia do animal. Os ferrões são serrilhados, o que faz com que entrem facilmente na pele, mas causem lacerações ao serem removidos. Além do trauma físico, há a inoculação de toxinas e o risco de infecção por bactérias.
"Esses ferrões impedem que ele saia pelo mesmo caminho que entrou. Além disso, há toxinas e bactérias que causam muita dor e inflamação", detalha o bombeiro. A dor provocada pelo veneno é intensa e imediata.
O que fazer (e o que NÃO fazer) em caso de acidente
Diante da gravidade, as orientações das autoridades são claras e devem ser seguidas à risca:
- Nunca tente retirar o ferrão por conta própria. A remoção deve ser feita em ambiente hospitalar, muitas vezes com intervenção cirúrgica e anestesia local.
- Para aliviar a dor inicial, aproveite que o veneno não resiste ao calor. Mergulhe o local afetado em água morna ou use compressas quentes.
- Procure atendimento médico urgente em um pronto-socorro. É fundamental para a remoção segura do ferrão e para evitar infecções posteriores.
- Verifique se sua vacina antitetânica está em dia.
O tenente Vegse também chama a atenção para as diversas situações de risco: "Muitas pessoas se machucam nadando, outras tentam pegar o peixe quando ele está agonizando na areia e acabam se ferindo. Até pescadores se acidentam quando o peixe se debate ao tentar sair do anzol". A recomendação geral é manter distância ao avistar um bagre e avisar imediatamente um guarda-vidas.
Enquanto isso, o aumento na aparição desses animais nas praias é investigado pelas prefeituras da região e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que buscam entender as causas do fenômeno.