Araras-canindés retornam ao Rio de Janeiro após mais de dois séculos de ausência
Um momento histórico foi registrado no Rio de Janeiro com a soltura das primeiras araras-canindés na Floresta da Tijuca, após mais de 200 anos desde o último avistamento da espécie na região. A iniciativa faz parte do projeto Refauna, que busca repovoar a mata com animais nativos, contando com o apoio do ICMBio e outras instituições ambientais.
Processo cuidadoso de adaptação e soltura
As quatro araras-canindés, batizadas como Fernanda, Suelli, Fátima e uma quarta não nomeada, foram trazidas do interior de São Paulo em junho e passaram por um período de sete meses de adaptação em um viveiro dentro do Parque Nacional da Tijuca. Durante esse tempo, os pesquisadores realizaram um treinamento alimentar, oferecendo frutos que as aves encontrariam naturalmente na floresta.
"Elas têm que estar bem para voar. Fazemos a transição gradual, apresentando os alimentos que encontrarão no habitat", explicou Joana Macedo, diretora do Refauna. O momento da soltura foi marcado por emoção e expectativa entre a equipe, que acompanhou cada detalhe com cuidado para não estressar os animais.
Reações emocionantes e próximos passos do projeto
A primeira a voar livremente foi a arara Fernanda, que demonstrou decisão e rapidez. Suelli seguiu com cautela duas horas depois, enquanto Fátima esperou três dias antes de explorar a floresta. Após a soltura, Fernanda reapareceu perto dos pesquisadores, em um momento descrito como emocionante pela equipe.
"Encontrar esse animal completamente solto, voando livremente nessa floresta, é indescritível", afirmou Luísa Genes, diretora científica do Refauna. As aves estão equipadas com anilhas e colares de identificação para monitoramento, e já há relatos de cariocas encantados com o novo colorido na cidade.
O trabalho não para por aí: outras seis araras-canindés serão reintroduzidas no primeiro semestre, seguindo o mesmo processo. O plano é ter pelo menos 50 animais colorindo o Rio de Janeiro em cinco anos, dependendo do compromisso da sociedade em proteger essas espécies.
"A cidade tem dois dos maiores parques urbanos do mundo. Proteger essas araras é essencial para a continuidade do projeto", destacou Mariana Egler, analista ambiental do ICMBio. A expectativa é que, em breve, as araras-canindés possam ser vistas voando perto de pontos icônicos como o Cristo Redentor, trazendo um espetáculo de cores e sons à capital fluminense.