Araras-azuis-de-lear nascem em zoológico de SP e reforçam conservação
Araras-azuis-de-lear nascem em zoológico de SP

Duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram no Zoológico de São Paulo no fim de abril, em um marco para a conservação da espécie ameaçada de extinção. As imagens dos filhotes foram divulgadas nesta sexta-feira, 22, data em que se celebra o Dia Internacional da Biodiversidade.

Os novos integrantes se juntam a outros 21 pássaros da mesma espécie que nasceram na instituição nos últimos onze anos, como parte do programa de conservação dos animais. Os filhotes são descendentes do casal de aves Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie registrados no zoológico na capital paulista.

Programa de reintrodução na Bahia

Parte das aves nascidas na instituição já foram incorporadas ao programa de revigoramento populacional na região do Boqueirão da Onça, na Bahia, uma das áreas conhecidas de ocorrência natural da espécie. Os dois filhotes permanecem sob alimentação assistida e monitoramento veterinário. O exame genético que identificará o sexo das aves será realizado após o desenvolvimento das penas, utilizadas como amostra laboratorial.

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“A reprodução da arara-azul-de-lear exige condições bastante específicas. Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura”, disse em comunicado à imprensa a bióloga Fernanda Guida, responsável pelo setor de aves do Zoológico de São Paulo. Segundo ela, cada nascimento possui relevância estratégica para o manejo populacional global da espécie.

Características da arara-azul-de-lear

A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é endêmica da caatinga baiana e esteve próxima da extinção nos anos 1990 por conta da combinação entre tráfico de animais silvestres, destruição do habitat e baixa distribuição geográfica. Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) apontam crescimento gradual da população da arara-azul-de-lear na natureza. O censo contabilizou 2.273 indivíduos em 2022 e 2.548 em 2024. No entanto, sua preservação ainda depende de ações integradas de conservação de campo e manejo sob cuidados humanos, segundo o zoológico.

Pesquisadores alertam que a espécie ainda enfrenta elevada vulnerabilidade. A distribuição geográfica restrita, concentrada em áreas da caatinga baiana como o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça, torna a ave particularmente suscetível à degradação ambiental e às mudanças climáticas. Em 2019, apenas dois indivíduos foram avistados na região do Boqueirão da Onça, situação que acelerou iniciativas de reforço populacional e monitoramento intensivo da espécie.

A arara-azul-de-lear é classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e como “vulnerável” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Importância do manejo genético

O manejo genético é ferramenta importante para a preservação e reprodução da espécie. As aves nascidas no Zoológico de São Paulo passam a integrar um banco de dados internacional com informações sobre origem, parentesco, reprodução e variabilidade genética dos animais. A ferramenta funciona como um sistema de gestão populacional que permite aos especialistas definirem cruzamentos mais adequados, transferências entre zoológicos e estratégias para evitar consanguinidade, problema capaz de reduzir a resistência genética e comprometer a sobrevivência da espécie ao longo das gerações.

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