Nova espécie de planta é descoberta no ES: Antúrio das Pedras encontrado em Linhares
Antúrio das Pedras: nova espécie descoberta no Espírito Santo

Antúrio das Pedras: nova espécie botânica é descoberta no Espírito Santo

A biodiversidade capixaba acaba de ganhar um novo integrante com a descoberta do Antúrio das Pedras, uma planta inédita encontrada durante expedição científica em Linhares, no Espírito Santo. A revelação foi feita por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que realizavam um mapeamento de espécies ameaçadas de extinção na região.

Expedição científica revela espécie desconhecida

O botânico Ricardo Ribeiro, que liderou a equipe multidisciplinar, explicou que o grupo selecionou áreas específicas em Linhares para realizar o levantamento botânico. "A gente montou uma equipe multidisciplinar e fomos para essa região de Linhares. Lá, selecionamos algumas áreas para fazer esse levantamento", afirmou o especialista.

Durante a pesquisa, foram coletadas quase 100 amostras botânicas para análise, incluindo a do Antúrio das Pedras, que crescia sobre formações rochosas e era completamente desconhecida pela ciência até então.

Três anos de estudos confirmam descoberta

A planta foi encontrada em 2022 em uma propriedade rural no distrito de São Rafael, interior de Linhares, na Região Norte do Espírito Santo. Desde então, os pesquisadores dedicaram três anos de estudos intensivos para confirmar que se tratava de uma nova espécie.

Os cientistas analisaram minuciosamente os materiais coletados e compararam com diversas espécies similares antes de oficializar a descoberta. O nome científico anturium petraeum foi escolhido justamente pela característica única da planta de se desenvolver em meio a rochas.

Outras descobertas recentes na biodiversidade capixaba

A descoberta do Antúrio das Pedras não é a única novidade na fauna e flora do Espírito Santo. Recentemente, pesquisadores identificaram novas populações de um ipê-amarelo criticamente ameaçado de extinção enquanto monitoravam papagaios chauá em Linhares.

O trabalho, publicado na revista internacional "Oryx – The International Journal of Conservation", mostrou como a observação de uma espécie pode revelar outras raridades. Foram mapeados oito ipês, alguns em fragmentos de floresta e outros em áreas abertas como pastagens e plantações de cacau.

Outra descoberta significativa foi a nova espécie de bromélia encontrada por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) em Nova Venécia. Batizada de "dama-escarlate" e com nome científico Stigmatodon vinosus, a planta foi localizada em um inselberg e já foi classificada como criticamente em perigo de extinção.

Importância das descobertas para a conservação

Essas descobertas destacam a riqueza da biodiversidade capixaba e a importância contínua de pesquisas científicas na região. As expedições fazem parte de projetos maiores que buscam mapear espécies em áreas que sofrem impacto ambiental, especialmente desde o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, Minas Gerais, em 2015.

Os pesquisadores envolvidos nessas descobertas incluem especialistas como Vitor Manhães, doutor em ciências biológicas, e Dayvid Couto, botânico do INMA, além de colaboradores como Elton Leme do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Seu trabalho conjunto continua revelando segredos da Mata Atlântica que podem ser cruciais para estratégias de conservação futuras.