Pernambuco contabiliza 82 ataques de tubarão desde 1992; adolescente é vítima fatal em Olinda
O estado de Pernambuco registrou um total de 82 ataques de tubarão desde o ano de 1992, conforme dados atualizados. O caso mais recente, que chocou a população, ocorreu na quinta-feira (29), quando um adolescente de 13 anos foi morto por uma mordida de tubarão na Praia Del Chifre, em Olinda.
Análise do Cemit identifica tubarão-cabeça-chata como responsável
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) realizou uma análise detalhada do ocorrido e concluiu que o animal provavelmente responsável pelo ataque fatal foi um tubarão-cabeça-chata. A identificação foi baseada na extensão e nas características específicas da lesão sofrida pela vítima.
De acordo com o órgão estadual, o tubarão envolvido no incidente deve ter mais de três metros de comprimento, o que é típico para essa espécie em sua fase adulta. A vítima, identificada como Deivson Rocha Dantas, estava brincando no mar quando foi atacada, e infelizmente não resistiu aos ferimentos.
Apenas duas espécies estão ligadas a mortes no Grande Recife
Rosângela Lessa, oceanógrafa da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrante do Cemit, explicou que, embora o litoral pernambucano abrigue uma ampla variedade de espécies de tubarões, apenas duas delas estão diretamente relacionadas a incidentes com mortes na região.
"Existe um número relativamente grande de espécies que compõem a nossa fauna de elasmobrânquios aqui, mas as espécies reputadas por participarem dos incidentes com tubarões são apenas duas: o cabeça-chata e o tigre", afirmou a especialista.
Ela destacou que essas duas espécies são conhecidas por estarem envolvidas em ataques em diversas partes do mundo, onde tais eventos ocorrem com certa frequência.
Migrações e dinâmica ambiental influenciam os ataques
Segundo Rosângela Lessa, os registros de incidentes no Grande Recife estão principalmente associados ao deslocamento dos tubarões-tigre e cabeça-chata durante seus processos migratórios, que ainda não são totalmente compreendidos pela ciência.
"A gente só sabe que o Recife não é uma área de berçário. Eles desenvolvem um movimento, uma trajetória de deslocamento, que passa muito perto da costa", comentou a pesquisadora.
Ela acrescentou que a frequência maior de ataques em determinados pontos está relacionada a fatores como:
- Dinâmica ambiental e oceanográfica
- Correntes marítimas que podem atrair ou afastar os animais
- Presença de barreiras naturais, como recifes
- Intervenções humanas e mudanças no ambiente costeiro
Espécies mais comuns no litoral de Pernambuco
O litoral do Grande Recife apresenta pelo menos seis espécies predominantes de tubarões. Abaixo, destacamos as principais características de cada uma:
- Tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas): Reconhecido pelo corpo robusto e focinho curto, pode viver tanto no mar quanto em rios. Pode chegar a 3,5 metros e é uma das espécies envolvidas em incidentes fatais.
- Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier): De grande porte, pode ultrapassar 5,5 metros. Encontrado em águas costeiras tropicais em todo o mundo, incluindo todo o litoral brasileiro.
- Tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus): Espécie costeira de médio a grande porte, comum em águas tropicais. Normalmente atinge 1,5 metro de comprimento.
- Tubarão-flamengo (Carcharhinus acronotus): De pequeno porte, mede aproximadamente 1,2 metro. Comum no Nordeste brasileiro, especialmente entre Bahia e Ceará.
- Tubarão-limão (Negaprion brevirostris): Associado a ambientes costeiros de águas rasas, pode alcançar cerca de três metros. Apresenta declínios em áreas estratégicas para conservação.
- Tubarão-bico-fino (Rhizoprionodon porosus): Espécie de pequeno a médio porte, comum em pescarias no Norte e Nordeste do Brasil. Seu comprimento usual é de 80 a 89 centímetros.
Este trágico incidente reforça a importância dos monitoramentos realizados pelo Cemit e das pesquisas contínuas sobre o comportamento das espécies de tubarões no litoral pernambucano, visando a prevenção de futuros ataques e a segurança dos banhistas.