Confronto entre taxistas e motorista de aplicativo causa tumulto em supermercado de Petrópolis
Um vídeo gravado no sábado, dia 17, registrou um momento de tensão em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. As imagens mostram um carro, supostamente de um motorista de aplicativo, completamente cercado por vários táxis em frente a um supermercado local. A cena rapidamente viralizou nas redes sociais, reacendendo o antigo debate sobre a convivência entre os dois modos de transporte na cidade.
Relato do motorista de aplicativo e alegações dos taxistas
No vídeo, o motorista do veículo de aplicativo afirma claramente que está sendo impedido de sair do local e, consequentemente, de trabalhar. Ele explica que chegou ao supermercado para buscar uma cliente, como parte de seu serviço regular pelo aplicativo. Por outro lado, os taxistas presentes no local apresentaram uma versão diferente dos fatos.
Eles alegaram que o condutor não deveria ter parado naquele estabelecimento, argumentando que não existem vagas específicas destinadas a veículos de aplicativo no local. Além disso, os taxistas insinuaram que o motorista estaria fazendo ponto fixo no supermercado, uma prática que consideram proibida e que poderia caracterizar uma forma de transporte irregular.
Posicionamento das autoridades de trânsito
A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes, a CPTrans, emitiu uma nota oficial nesta terça-feira, dia 20, para esclarecer o ocorrido. A empresa informou que não foi acionada formalmente sobre o caso, tendo tomado conhecimento do incidente apenas através das redes sociais. Em sua declaração, a CPTrans destacou que atua em conjunto com o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro, o Detran-RJ, e com o Departamento de Trânsito Rodoviário, o Detro-RJ, em ações de fiscalização contra o transporte irregular.
Sobre o serviço de aplicativo, a companhia foi enfática ao afirmar que ele é reconhecido pela Lei nº 13.640, de 2018. Esta legislação atribui aos municípios a competência para regulamentar e fiscalizar a operação desses serviços. No entanto, a CPTrans ressaltou um ponto importante: ainda não existe uma regulamentação federal específica para a atividade de transporte por aplicativo.
Essa falta de normativa federal limita a atuação dos órgãos de trânsito, restringindo-a principalmente a aspectos de circulação viária, segurança no trânsito e cumprimento das normas gerais estabelecidas. A CPTrans também informou que, ao longo do ano de 2025, já foram realizadas mais de dez autuações por estacionamento irregular na região, reforçando que todas as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro e nas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito, o Contran, são rigorosamente aplicadas durante as fiscalizações diárias.
Atuação da Polícia Militar e desfecho do caso
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro também se manifestou sobre o episódio ocorrido em Petrópolis. De acordo com a corporação, uma viatura esteve presente no local do confronto e ouviu as versões de todas as partes envolvidas. Os policiais mediram a situação e buscaram um entendimento entre os grupos.
O motorista de aplicativo, em seu depoimento, negou ter sofrido qualquer tipo de agressão física durante o incidente. Ele manteve sua posição de que estava apenas executando seu trabalho de forma legítima através da plataforma digital. Após as conversas, nenhuma das partes manifestou interesse em registrar uma ocorrência formal na delegacia de polícia.
Diante disso, o caso foi encerrado no próprio local, sem a abertura de um processo criminal. As autoridades presentes reforçaram que o transporte por aplicativo é uma atividade permitida por lei, mas lembraram que é fundamental o cumprimento integral de todas as normas de trânsito e de estacionamento estabelecidas.
Reflexões sobre o episódio e o cenário atual
Este incidente em Petrópolis serve como um reflexo claro das tensões que ainda persistem em muitas cidades brasileiras entre taxistas tradicionais e motoristas de aplicativo. A disputa por espaço, clientes e regulamentação continua a gerar conflitos pontuais, mesmo anos após a popularização dos serviços de transporte por plataformas digitais.
As autoridades locais e estaduais têm o desafio de equilibrar a inovação trazida pela tecnologia com a manutenção da ordem pública e do cumprimento das leis de trânsito. Enquanto aguardam uma regulamentação federal mais específica, municípios como Petrópolis precisam encontrar formas de garantir que ambos os serviços possam coexistir de maneira harmoniosa, respeitando os direitos de trabalhadores e usuários.
O episódio do supermercado, felizmente, não escalou para violência física, mas evidencia a necessidade de diálogo contínuo e de esclarecimentos sobre as regras que devem ser seguidas por todos os profissionais do setor de transporte.