Moradores ocupam túmulos em cemitério de Colatina, ES, e denúncia revela abandono
Pessoas moram em túmulos de cemitério no Espírito Santo

Denúncia revela ocupação de túmulos e abandono em cemitério do Espírito Santo

Um vídeo gravado por um morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, expôs uma situação alarmante: pessoas estão morando dentro do Cemitério Municipal São Vicente, utilizando os túmulos como abrigo para dormir. As imagens mostram peças de roupa, garrafas e sacolas plásticas espalhadas pelo local, evidenciando a presença humana constante em um espaço destinado aos mortos.

Condições precárias e descaso municipal

O denunciante, que preferiu não se identificar, destacou não apenas a ocupação, mas também o abandono extremo do cemitério. Ele relatou a presença de mato alto e acúmulo excessivo de lixo nas estruturas do local, situado na rua Luiz Scortegagna, no bairro São Vicente. "Eu percebi que tem gente até morando, isso mesmo, gente morando, não sei quem é, dentro do cemitério. E sem contar o abandono que está o cemitério, tanto de mato e lixo que tem aqui dentro, fora do normal", afirmou o morador em seu relato.

Resposta da Prefeitura de Colatina

Em nota oficial, a Prefeitura de Colatina informou que iniciou, no final de fevereiro, um cronograma de limpeza geral nos cemitérios municipais. As equipes estão atuando no Cemitério São Francisco e, a partir da próxima segunda-feira (16), os trabalhos de capina, limpeza e poda de árvores serão realizados no Cemitério São Vicente.

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A administração municipal também afirmou que:

  • Novos servidores foram designados para ampliar a segurança no local.
  • A Guarda Municipal foi acionada para dispersar e encaminhar pessoas em situação de vulnerabilidade social à Secretaria de Assistência Social.
  • O cemitério tem sido alvo de constantes ataques de depredação e invasões, com medidas sendo adotadas para garantir a segurança e conservação do espaço público.

Caso anterior de vilipêndio de cadáver

Esta não é a primeira vez que o Cemitério São Vicente chama a atenção por situações graves. Em janeiro de 2025, quatro ossadas humanas foram encontradas em sacos plásticos dentro de um depósito usado para guardar ferramentas no mesmo cemitério. Na época, a administração acreditava que o material teria sido retirado para a venda de novos espaços.

A prefeitura registrou um Boletim Unificado (BU) e a Polícia Civil investigou o caso. O ato de desrespeitar e ridicularizar os restos mortais, conhecido como vilipêndio de cadáver, é considerado crime contra o respeito aos mortos, com pena prevista de um a três anos de detenção e multa.

Contexto social e desafios urbanos

A situação revela um grave problema de vulnerabilidade social e abandono de espaços públicos em Colatina. A ocupação de cemitérios por pessoas sem-teto reflete a falta de políticas eficazes de habitação e assistência social, enquanto o estado de conservação do local aponta para falhas na gestão municipal de equipamentos públicos.

A combinação de moradores utilizando túmulos como abrigo, o acúmulo de lixo e a vegetação descontrolada cria um cenário de desrespeito tanto aos vivos quanto aos mortos, exigindo ações urgentes das autoridades locais para resolver tanto as questões humanitárias quanto as de manutenção urbana.

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