Estudantes da Universidad de la Integración de las Américas (UNIDA), no Paraguai, organizaram um memorial em homenagem à brasileira Julia Vitória Sobierai Cardoso, de 22 anos. A jovem, que cursava medicina, foi assassinada na última sexta-feira (24). O suspeito do crime, Vitor Rangel Aguiar, segue foragido e pode ter retornado ao Brasil. O Ministério Público do Paraguai informou que formalizará um pedido de captura internacional, mas o nome do suspeito ainda não consta na lista vermelha da Interpol.
Ato de homenagem e protesto
O memorial ocorreu na segunda-feira (27) e reuniu apenas alunos da instituição. Um vídeo gravado no local mostra os estudantes reunidos em um dos blocos da universidade. A manifestação foi organizada por representantes da turma, com apoio da responsável pelo bem-estar educacional. Durante o encontro, houve discursos em memória de Julia e contra a violência, especialmente contra as mulheres.
A estudante Sarah Bweigher explicou ao g1 que o objetivo foi homenagear a colega e chamar atenção para o tema. “Um ato silencioso, onde o objetivo era fazer uma homenagem à Julia, mas também chamar atenção para o assunto que é normalizado todo o tempo. Infelizmente hoje a gente tem a Julia como um marco, mas que a gente não precise ter outros motivos para parar e fazer um memorial”, afirmou.
Quem era Julia Vitória
Julia nasceu em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Antes de se mudar para o Paraguai, morou com a família em Navegantes, onde ocorreu o velório. A jovem havia se mudado recentemente para o país para realizar um sonho de adolescência: cursar medicina e se tornar pediatra, contou a amiga Sara Cazarotto.
Detalhes do crime
O memorial ocorreu no mesmo dia em que o promotor Osvaldo Zaracho, responsável pela investigação, divulgou o resultado da autópsia. Julia foi morta com 58 golpes de tesoura de unha e outros sete golpes de faca. O laudo também apontou ferimentos no pescoço, indicando estrangulamento. As armas usadas no crime foram apreendidas.
Segundo o promotor, a principal linha de investigação aponta que o crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento. “Este homem provavelmente não tinha aceitado [o fim do relacionamento] e ele estava se aproximando dela novamente como amigo. Na sexta-feira, ele foi ao apartamento onde ela morava, supostamente para conversar”, disse Zaracho. A informação de que os dois mantiveram amizade após o término foi confirmada pelo irmão da vítima, Gustavo Sobierai.
Descoberta do corpo
No momento do crime, além da vítima e do suspeito, também estava no apartamento o namorado da colega de quarto de Julia. Segundo depoimento, ele ouviu um barulho vindo do quarto da estudante e perguntou se havia algum problema, mas o suspeito respondeu que não. Horas depois, por volta das 17h, a colega de Julia chegou e encontrou a porta do quarto trancada. O corpo foi localizado após entrada forçada pela varanda. A polícia foi acionada, e a Justiça paraguaia autorizou a entrada dos investigadores na casa do suspeito ainda na sexta-feira.



