Uma jovem de 21 anos, Ana Clara Antero de Oliveira, viveu momentos de terror ao ser atacada pelo próprio cunhado, que decepou uma de suas mãos e mutilou a outra. O crime ocorreu no dia 1º deste mês, em Quixeramobim, no interior do Ceará. Durante o ataque, a vítima fingiu-se de morta para que o agressor cessasse a violência.
O ataque e a reação da vítima
Em entrevista à TV Verdes Mares, Ana Clara revelou que permaneceu consciente durante todo o socorro. "Não dormi, estava consciente o tempo todo. Eu estava com muita dor, mas só fui dormir quando cheguei no hospital e me sedaram para a cirurgia", relatou a estudante. O ataque foi realizado com uma foice, e além das mãos, ela sofreu cortes profundos no rosto, ombro, perna e cotovelo.
Após ser derrubada no chão, Ana Clara fingiu-se de morta, o que fez com que o cunhado, Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, deixasse a residência. Sozinha e sem conseguir usar o celular devido às lesões, ela gritou por ajuda. Um médico vizinho ouviu os pedidos e acionou a polícia e o Samu.
A discussão que antecedeu o crime
A tentativa de feminicídio ocorreu após uma briga entre Ana Clara e seu então namorado, Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos. O casal havia saído para beber e, quando ela quis voltar para casa por se sentir embriagada, Ronivaldo se irritou. A discussão continuou dentro do carro, e Ana Clara chegou a jogar uma pedra no veículo. Surpreendentemente, Ronivaldo chamou o irmão Evangelista, que pulou o muro e pediu que ela abrisse a porta, portando uma foice.
"No que eu abri, ele já pulou a janela e foi tacando a foice, amputou minha mão. Aí eu corri para o quarto, tentei fechar a porta, mas não consegui. Ele continuou a atacar, e eu me fiz de morta", descreveu Ana Clara.
Recuperação e cirurgias
Após o ataque, Ana Clara foi submetida a três cirurgias: uma para reimplantar as mãos, outra para recompor um tendão da perna e uma terceira para substituir uma artéria do braço. A recuperação é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e assistentes sociais. Na última sexta-feira (15), ela iniciou fisioterapia e terapia ocupacional.
Quinze dias após a cirurgia de 12 horas, a jovem já movimenta gradualmente os dedos e aprendeu a usar o celular com os pés, segundo o padrasto José Airton Firmino. A habilidade permitiu que ela acessasse as redes sociais, onde acumula mais de 30 mil seguidores.
Os agressores viram réus
Evangelista foi preso em uma casa em Quixeramobim, onde foram apreendidos uma foice, roupas e um chinelo com manchas de sangue. Ronivaldo foi localizado na residência de familiares em Madalena. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) aceitou a denúncia contra os dois irmãos por tentativa de feminicídio, tornando-os réus. O processo tramita em segredo de Justiça.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu uma indenização de R$ 97 mil para a vítima, valor sujeito a alteração judicial. Ainda não há data para o julgamento.
O pai dos agressores, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, colaborou com a polícia indicando onde os filhos estavam escondidos. Em depoimento, ele afirmou que Ronivaldo lhe enviou mensagens dizendo que Evangelista havia matado Ana Clara.



