Conflitos e violência no Aeroporto de Fortaleza: disputa por passageiros gera caos
Brigas no Aeroporto de Fortaleza por passageiros geram violência

Conflitos violentos assolam o Aeroporto de Fortaleza em disputa por passageiros

Nos últimos anos, o Aeroporto Internacional de Fortaleza tem sido palco de episódios recorrentes de pancadaria e brigas entre motoristas, em uma disputa acirrada por passageiros. Os tumultos, que se intensificaram recentemente, têm origem em um conflito ainda não resolvido: a conduta irregular de taxistas ou motoristas não autorizados para atuar no local. A Polícia Civil do Ceará afirma que investiga casos de lesão corporal, injúria, difamação e ameaça envolvendo profissionais que trabalham no aeroporto, evidenciando a gravidade da situação.

Atuação clandestina gera caos e prejuízos

Estacionando em locais proibidos e abordando passageiros diretamente no saguão, estes motoristas, frequentemente chamados de ‘clandestinos’ ou ‘piratas’, ameaçam a atividade de quem tem permissão para ofertar serviços no aeroporto. A prática não só desestabiliza o ambiente, mas também deixa os passageiros sem suporte em caso de problemas na corrida. Um dos exemplos mais alarmantes é a cobrança de preços abusivos, com fontes relatando que estes motoristas já pediram até R$ 340 por viagens até a Praia de Iracema, valor cerca de quatro vezes maior que o de um táxi convencional, que custaria em torno de R$ 70.

Organização insuficiente e áreas de conflito

Embora existam áreas definidas para táxis e motoristas de aplicativo no Aeroporto de Fortaleza, essa organização não tem sido eficaz para evitar confrontos. Apenas veículos credenciados pela Fraport Brasil, empresa administradora, podem oferecer serviços no local, incluindo transportes por aplicativo, táxis comuns da Coopertaxi, táxis especiais da Coopaero e serviços de receptivos turísticos. No entanto, os chamados ‘taxistas clandestinos’ – que possuem permissão para atuar em Fortaleza, mas não são cadastrados no aeroporto – aproveitam brechas para operar irregularmente.

Eles costumam agir no saguão do Piso 1, nas saídas dos passageiros que chegam em voos domésticos e internacionais, abordando turistas antes que estes possam acessar os serviços autorizados. O centro dos conflitos fica na frente do Portão 6, uma área onde não é permitido estacionar, mas que é utilizada irregularmente como estacionamento por motoristas não credenciados. Os horários de maior disputa são o início da tarde e a noite, coincidindo com picos de fluxo de passageiros.

Problemas recorrentes e falta de soluções

Sem encontrar soluções efetivas junto aos órgãos responsáveis, motoristas que se sentem prejudicados têm realizado manifestações ou se envolvido em novos tumultos. Em janeiro deste ano, foram registrados pelo menos três dias seguidos de confusões no aeroporto. Os passageiros, muitas vezes confundidos pela presença de veículos identificados como táxis, acabam sendo vítimas de práticas enganosas, como cobranças por pessoa em vez de por corrida, especialmente direcionadas a mulheres que não conhecem a cidade.

Além disso, os motoristas autorizados relatam problemas como multas por estacionamento irregular causado pelos clandestinos e ameaças de morte, com diversos boletins de ocorrência já registrados. A situação tem levado a reuniões com a Fraport Brasil, Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) e Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), mas as medidas adotadas até agora são consideradas insuficientes. Líderes como Lindberg Falcão, presidente da Coopertaxi, e Laiso Rabelo, representante dos motoristas de aplicativo, expressam temor de que os conflitos escalem para níveis mais extremos, incluindo agressões físicas já registradas.

Posicionamento das autoridades

Em resposta às investigações, a Fraport Brasil afirma acompanhar os episódios e adotar medidas dentro de sua competência, mas ressalta não ter poder de polícia, acionando órgãos como AMC e Etufor para fiscalização. A Etufor, por sua vez, alega limitações devido a catracas que restringem o acesso à área de desembarque desde o segundo semestre de 2025, enquanto a AMC realiza fiscalização remota por videomonitoramento. A Secretaria da Segurança Pública destaca a importância do registro de boletins de ocorrência e a atuação da Polícia Militar em conflitos.

Este cenário de tensão persistente no Aeroporto de Fortaleza reflete um desafio maior de gestão e segurança em terminais brasileiros, exigindo ações coordenadas para proteger tanto os trabalhadores quanto os passageiros.