Policiais Militares Agridem Homem com Problemas de Saúde Mental em Morro Agudo, SP
Policiais Agridem Homem com Saúde Mental em Morro Agudo, SP

Policiais Militares Agridem Homem com Problemas de Saúde Mental em Morro Agudo, SP

Um vídeo que circula nas redes sociais registra um homem sendo agredido por dois policiais militares no meio da rua em Morro Agudo, cidade localizada a 72,4 quilômetros de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. As imagens, que viralizaram, mostram o pintor Carlos Eduardo Montalvão, de 46 anos, sendo submetido a uma ação violenta por parte dos agentes no último sábado, dia 31.

Detalhes da Agressão e Contexto do Caso

De acordo com relatos de familiares, Montalvão enfrenta problemas de saúde mental e estava em surto no momento dos acontecimentos. O vídeo exibe o homem rodando na Rua Silvio Bruza, no bairro Antônio José Abraão, enquanto profere xingamentos. Quando uma viatura policial passa pelo local, ele começa a ofender os policiais, o que desencadeia a intervenção.

Um dos agentes desce do veículo e se aproxima do homem, questionando-o com a frase "como é que é?". Em seguida, o policial aplica um tapa, um chute e tenta imobilizá-lo pelo pescoço. Ao derrubar Montalvão no chão, o agente desfere vários socos, enquanto um segundo policial se aproxima e desfere um golpe com um bastão.

Versões Conflitantes e Desfecho do Incidente

Após as agressões, os policiais levaram Montalvão em uma viatura até um hospital em Morro Agudo, onde ele precisou receber pontos na cabeça. Posteriormente, foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil em São Joaquim da Barra, após receber alta médica. No boletim de ocorrência, os agentes alegaram que foram chamados ao endereço porque Montalvão estava ameaçando três mulheres que residem no local.

Segundo a versão policial, no momento em que deixavam o local, Montalvão passou a xingá-los e partiu para cima deles. Os policiais afirmaram ter dado voz de prisão e usado força moderada para contê-lo e algemá-lo, mas devido à resistência, foi necessário empregar o bastão tonfa e socos para desmobilizá-lo. O caso foi registrado como desobediência e desacato.

Revolta Familiar e Busca por Justiça

A empregada doméstica Maria de Lourdes Ribeiro Montalvão, irmã do agredido, expressou indignação com a ação policial. Ela relata que as alterações no comportamento do irmão começaram há um mês e que, embora ele tenha ofendido os policiais, a reação foi desproporcional. "Eu fiquei revoltada, é meu irmão, é sangue. Ele está virando saco de pancada dos outros. A polícia está ali para servir outras coisas e eles vieram na pancada", desabafa.

O autônomo José Roberto Montalvão, outro irmão, também condenou a conduta dos agentes, destacando que a família tem buscado ajuda para tratamentos de saúde mental sem sucesso. "Um erro, né? Uma coisa que a polícia não deve fazer. Que polícia é essa para fazer uma coisa dessa, agredir a pessoa desse jeito?", questiona.

Investigação e Posicionamento Oficial

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Militar está analisando as imagens e a conduta dos agentes envolvidos para adoção das medidas administrativas e legais cabíveis. Em nota, a Polícia Militar afirmou que não compactua com excessos ou desvios de conduta, punindo com rigor todos os casos comprovados.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Morro Agudo, com depoimentos e outras diligências em andamento para esclarecer os fatos. A situação levanta debates sobre o tratamento de pessoas com problemas de saúde mental por parte das forças de segurança e a necessidade de protocolos adequados de intervenção.