PMs presos após vídeo mostrar jovem baleado pelas costas em abordagem em MS
PMs presos após vídeo mostrar jovem baleado pelas costas em MS

PMs são presos após vídeo mostrar jovem baleado pelas costas durante abordagem em MS

Dois policiais militares foram presos por suspeita de envolvimento na morte de Welington dos Santos Vieira, de 27 anos, baleado durante uma abordagem policial na última terça-feira (31), em Anastácio, município localizado a cerca de 140 quilômetros de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. A prisão temporária foi decretada pela Justiça após pedido da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do estado, que já havia afastado três policiais que participaram da ocorrência.

Vídeo de segurança contradiz versão oficial dos policiais

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de imagens de câmera de segurança que colocam em dúvida a versão apresentada pelos policiais no boletim de ocorrência. Os militares haviam afirmado que Welington teria sido baleado após avançar contra um deles portando uma faca. No entanto, as imagens registradas mostram uma situação completamente diferente.

Nas cenas, é possível ver claramente o jovem correndo, mantendo uma certa distância dos policiais, quando é atingido por um disparo nas costas. Após ser baleado, ele cai imediatamente na calçada e não apresenta mais movimentos. Algum tempo depois, a viatura policial se aproxima do local e Welington é colocado dentro do veículo, aparentemente já sem vida. No chão, permanece apenas uma marca de sangue visível.

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Importante destacar que nenhuma faca ou outra arma aparece nas imagens disponibilizadas, embora o registro policial oficial aponte que tanto as pistolas dos policiais quanto uma suposta arma do suspeito foram apreendidas e encaminhadas para perícia técnica. A Polícia Civil assumiu as investigações do caso, que segue em andamento com análise detalhada das provas coletadas.

Defesa da família alega execução e nega ligação com crime anterior

O advogado da família, Walisson Reis Pereira da Silva, afirmou categoricamente que existem fortes indícios de que Welington dos Santos Vieira foi executado durante a abordagem policial, e não morto em confronto como alegado inicialmente pelos policiais. Segundo ele, as imagens de câmera de segurança são absolutamente claras ao mostrar que o jovem foi baleado pelas costas enquanto tentava fugir, o que contradiz diretamente a alegação de que ele teria reagido ou atacado os agentes com uma faca.

Sobre a suposta participação de Welington no duplo homicídio ocorrido em Anastácio – crime pelo qual ele era investigado – o advogado negou veementemente qualquer envolvimento. Ele explicou que testemunhas já foram ouvidas e indicam que o assassinato do casal foi planejado pela própria filha das vítimas, que teria contratado duas pessoas para executar os pais em troca de dinheiro e para ficar com os bens da família.

"Ainda de acordo com informações da defesa, um dos envolvidos diretamente no assassinato foi morto posteriormente ao cobrar pagamento pelo crime, enquanto o namorado da mandante encontra-se preso", detalhou o advogado, que afirmou pretender levar o caso integralmente ao Ministério Público para cobrar a responsabilização dos policiais envolvidos.

Advogado defende câmeras corporais e responsabilização dos agentes

O advogado da família também defendeu publicamente o uso obrigatório de câmeras corporais pelos policiais, afirmando que, sem as imagens de segurança disponíveis, este caso poderia ter sido tratado apenas como mais um confronto rotineiro. "Mesmo diante de suspeitas, ninguém pode ser executado sumariamente", destacou ele, acrescentando que a defesa vai buscar comprovar judicialmente a inocência de Welington em relação ao duplo homicídio e responsabilizar todos os envolvidos em sua morte.

Os dois policiais presos devem ser encaminhados para o Presídio Militar Estadual, onde permanecerão à disposição da Justiça enquanto as investigações prosseguem. Segundo comunicado oficial da Polícia Militar, a decisão pela prisão foi tomada após análise criteriosa das provas reunidas até o momento, com o objetivo explícito de garantir a ordem pública e não atrapalhar o andamento das investigações em curso.

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O caso do assassinato do casal em Anastácio, que motivou a abordagem policial, segue sob investigação separada da Polícia Civil. As apurações indicam que o crime foi cometido a mando da própria filha das vítimas, com participação ativa do namorado dela – ambos já presos – e de outro homem que teria participado diretamente da execução, mas acabou sendo morto no dia seguinte ao cobrar pagamento pelo crime.