Um policial militar fora de serviço disparou sua arma em meio ao público durante um show da dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, na noite de sexta-feira (16), em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O incidente resultou em quatro pessoas baleadas, sendo uma delas uma moradora da capital paulista que estava no local com a família.
Detalhes do incidente no festival
O fato ocorreu durante um festival que reuniu uma grande multidão. Segundo a organização do evento, o policial, identificado como um sargento de 33 anos, natural de Itanhaém (SP), estava de folga e sozinho. Ele não fazia parte do esquema de segurança do show.
Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pelo g1 mostram que o militar se envolveu em uma discussão com outro policial, também fora de serviço, no setor da pista. A motivação da briga não foi esclarecida pelas autoridades. Durante a confusão, o sargento sacou a arma, iniciando uma perseguição em meio ao público, momento em que efetuou os disparos.
O público entrou em pânico e começou a correr após os tiros. Uma mulher, sem envolvimento na discussão, caiu ao ser atingida. Pelas imagens, não é possível identificar quantas pessoas foram baleadas no momento exato dos disparos.
Vítimas e estado de saúde
Entre os feridos está uma jovem de São Paulo, cuja mãe, Rose dos Santos, deu entrevista à TV Tribuna. Ela relatou que a filha estava muito próxima do policial quando os tiros começaram. “Começou aquele tumulto, aquele monte de tiro e ela ficou sem saber de onde saiu esse tiro [...] aí a perna dela sangrou”, contou.
A vítima sofreu um ferimento grave. O projétil atravessou a panturrilha de uma perna e atingiu o osso da outra, deixando-a incapaz de apoiar o pé no chão. A organização do evento informou que, apesar dos ferimentos, nenhuma das quatro vítimas corre risco de morte. O estado de saúde das outras três pessoas não foi divulgado em detalhes.
Prisão e investigações
O policial atirador foi contido no local pela Guarda Civil Municipal (GCM) e, posteriormente, preso. Ele foi encaminhado à delegacia e, em seguida, ao presídio Romão Gomes, na capital paulista.
O tenente-coronel Caio Mozart, do 45º Batalhão da PM em Praia Grande, afirmou que as investigações estão em andamento. “Está sendo verificado o porquê de ele ter feito isso e estão sendo colhidas todas as provas necessárias”, declarou o oficial.
A Polícia Militar foi contactada, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem. A Polícia Civil também não forneceu informações sobre o motivo da discussão que originou os disparos.
Legislação sobre porte de arma
Os responsáveis pelo festival emitiram uma nota ressaltando que o policial não integrava a equipe de segurança do evento e que todos os procedimentos de revista no público foram realizados. Eles também lembraram que a Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) permite o porte de arma para policiais militares, inclusive fora de serviço e em eventos.
O caso reacende o debate sobre a presença de armas em locais com grande aglomeração de pessoas, mesmo quando portadas por agentes da lei em seu período de descanso. A investigação segue para apurar todas as circunstâncias e responsabilidades pelo ato de violência que colocou em risco a vida de centenas de frequentadores do festival sertanejo.