MP do Amazonas deflagra operação para investigar morte de jovem durante ação policial
O Ministério Público do Estado do Amazonas iniciou, nesta sexta-feira (13), uma operação especial para investigar minuciosamente as circunstâncias da morte de João Paulo Maciel dos Santos. A ação judicial envolve dezenove policiais militares como investigados e está sendo conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial, com mandados judiciais já expedidos para apurar todos os detalhes do caso.
Versões conflitantes sobre a abordagem policial
O incidente ocorreu em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, em Manaus, durante uma operação policial que foi amplamente filmada por moradores da região. Segundo informações oficiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), os policiais se dirigiram ao local após receberem uma denúncia anônima sobre a venda de entorpecentes por criminosos fortemente armados. Os agentes solicitaram apoio reforçado e iniciaram uma perseguição aos suspeitos.
Ao entrarem em uma passagem lateral de uma residência, os policiais relataram terem sido atacados com disparos de arma de fogo. Entretanto, essa versão é veementemente contestada por diversas testemunhas e moradores que presenciaram os fatos. Em vídeo gravado por uma testemunha ocular, é possível observar claramente os agentes abordando um homem sem camisa, que levou as mãos à cabeça e foi revistado sem demonstrar qualquer tipo de reação agressiva.
Posteriormente, pelo menos um policial aparece conduzindo o homem para a passagem lateral da residência, enquanto um grupo composto por aproximadamente seis agentes permanece no local original da abordagem. Poucos instantes depois, outros dois policiais entraram na mesma passagem caminhando normalmente e, em seguida, saíram carregando um corpo sem vida.
Manifestação popular e revolta familiar
Um dia após a trágica morte, familiares e amigos de João Paulo realizaram uma grande manifestação na Avenida Brasil, no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus. Durante o protesto, os manifestantes exibiram cartazes com mensagens de indignação e gritaram insistentemente por Justiça, ateando fogo a restos de lixo, madeiras e pneus, o que resultou no bloqueio total da Avenida Brasil.
O trânsito na região ficou completamente paralisado enquanto a Polícia Militar chegava com reforços significativos para conter os manifestantes. Para dispersar a multidão, os agentes chegaram a disparar tiros de balas de borracha, aumentando ainda mais a tensão no local.
A mãe da vítima, Jeciara Maciel, participou ativamente da manifestação e questionou publicamente a morte do filho, exigindo Justiça de forma veemente. "Mataram meu filho, hoje o enterrei. Pegaram meu filho, ele já estava rendido. Levaram ele para baixo de uma casa. Executaram meu filho. Ele desceu com vida e voltou sem vida. Eu quero Justiça pela vida do meu filho", declarou emocionada.
Resposta do Estado e contestação da defesa
Na ocasião dos protestos, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Vinicius Almeida, informou que estava deslocando o efetivo de segurança pública para encerrar uma manifestação em homenagem a um traficante de Manaus morto na megaoperação no Rio de Janeiro. Entretanto, a defesa da família do jovem contesta categoricamente essa versão oficial.
Segundo a advogada Thayane Costa, que representa os familiares, o ato foi um pedido legítimo e pacífico por justiça, e a resposta do Estado foi completamente desproporcional e violenta. "Foi uma manifestação pacífica, com moradores locais segurando cartazes. Não houve tumulto, não houve vandalismo. Tinha criança no local, e a polícia chegou atirando sem saber em quem. Foi uma ação hostil e excessiva", afirmou a defensora.
A investigação do Ministério Público continua em andamento, com novas diligências sendo realizadas para esclarecer todos os aspectos deste caso que gerou grande comoção social na capital amazonense.
