Homem com esquizofrenia morre após ser baleado por policial militar no RS
A Polícia Civil e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul encerraram oficialmente os inquéritos que investigaram a morte de Paulo José Chaves dos Santos, de 35 anos, ocorrida durante uma intervenção policial no bairro Tancredo Neves, em Santa Maria, na Região Central do estado, em janeiro de 2026. Conforme os relatórios finais divulgados pelas autoridades, o policial militar responsável pelos disparos agiu em legítima defesa de terceiro e, portanto, não será indiciado pela Polícia Civil.
Detalhes da ocorrência e surto psicótico
De acordo com as investigações, o incidente teve início quando familiares do homem acionaram as forças de segurança após ele apresentar um surto psicótico dentro de sua própria residência. Na ocasião, a família informou que ele era diagnosticado com esquizofrenia, não estava fazendo uso dos medicamentos controlados e estaria sob efeito de álcool. A equipe policial foi despachada inicialmente para atender a uma possível ocorrência de violência doméstica.
Contudo, ao chegarem ao local, os policiais foram surpreendidos pela reação agressiva do morador. Conforme o registro da ocorrência, quando a viatura se aproximou, o homem se debruçou sobre o veículo e questionou quem havia chamado a polícia. O inquérito apontou que ele portava um martelo nas mãos e ocultava uma faca, avançando de forma repentina e violenta contra o motorista da viatura, que estava dentro do carro com a mobilidade comprometida.
Intervenção policial e uso da força
Diante do ataque iminente, o segundo policial desembarcou da viatura com o objetivo de proteger o colega e efetuou três disparos. Um dos tiros atingiu fatalmente o homem, que veio a óbito no local. Imagens de câmeras de segurança capturaram parte da ação, e a perícia técnica concluiu que o uso da arma de fogo foi o único meio capaz de impedir o ataque imediato, dada a curta distância e o tempo reduzido para reação.
A polícia destacou que a utilização de instrumentos não letais foi considerada inviável e insegura naquela situação específica. O inquérito reuniu uma série de evidências, incluindo:
- Laudos periciais de necropsia e balística
- Análise minuciosa da cena do crime
- Apreensão das armas brancas utilizadas pelo homem
- Sincronização de áudios de emergência com depoimentos de testemunhas e policiais
Conclusões paralelas das polícias
Em nota, a Brigada Militar informou que também concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM), realizado de forma paralela e independente ao da Polícia Civil, com foco em eventuais crimes militares e infrações administrativas. A apuração interna chegou à mesma conclusão: o óbito decorreu de legítima defesa de terceiros, diante de um atentado contra a vida do segundo policial presente na ocorrência.
A corporação reforçou que os autos serão encaminhados à Justiça Militar do Estado para a tramitação processual adequada, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a excelência no serviço de segurança pública.
Declarações oficiais e robustez probatória
A Polícia Civil emitiu uma nota à imprensa explicando que a decisão pelo não indiciamento baseou-se na confirmação técnica e jurídica de que a ação letal ocorreu sob o estrito amparo da excludente de ilicitude. A investigação determinou que a intervenção visou exclusivamente a proteção à vida e integridade física do agente atacado, com um robusto conjunto probatório que incluiu sincronização precisa de imagens e áudios com os depoimentos.
Este caso chama a atenção para a complexidade de atendimentos envolvendo crises de saúde mental e a atuação policial em situações de alto risco, destacando a importância de protocolos de segurança e o uso proporcional da força.
