Viúvo de cantora gospel é condenado como mentor de emboscada fatal na Bahia
O Tribunal do Júri de Dias D'Ávila, cidade localizada a 55 quilômetros de Salvador, condenou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, três indivíduos pela morte brutal da cantora gospel Sara Freitas. O crime, classificado como feminicídio qualificado, ocorreu em outubro de 2023 e chocou a comunidade local e os seguidores da artista, que possuía mais de 50 mil admiradores nas redes sociais.
Detalhes da condenação e penas aplicadas
Entre os condenados está o próprio viúvo da vítima, Ederlan Santos Mariano, apontado pelo Ministério Público da Bahia como o mentor intelectual do assassinato. As penas aplicadas foram severas: Ederlan recebeu 34 anos e cinco meses de prisão; Victor Gabriel Oliveira Neves foi sentenciado a 33 anos e dois meses; e Weslen Pablo Correia de Jesus teve uma pena de 28 anos e seis meses, com redução devido à confissão durante o julgamento.
O quarto envolvido no crime, Gideão Duarte de Lima, já havia sido julgado separadamente em abril do ano anterior, recebendo 20 anos, quatro meses e vinte dias de prisão no regime fechado inicial por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.
Violência extrema e motivações do crime
De acordo com as investigações do Ministério Público, Sara Freitas foi atraída para uma emboscada no povoado Leandrinho, em Dias D'Ávila, sob o falso pretexto de participar de um evento religioso. A cantora foi submetida a uma agressão brutal, recebendo 22 golpes de faca antes de ter seu corpo ocultado e queimado. Seus restos mortais só foram encontrados três dias após o crime.
As autoridades destacaram que os acusados agiram de forma organizada, com divisão clara de tarefas, motivados por promessa de recompensa financeira e interesses ligados à carreira artística de um dos envolvidos. Após o assassinato, o próprio marido compareceu à polícia para registrar o desaparecimento da esposa, momento em que foi questionado e acabou confessando sua participação no crime.
Pronunciamento do Ministério Público e impacto social
A promotora de Justiça Mirella Brito, que atuou no caso, enfatizou a importância da condenação: "Hoje, além de justiça para Sara Freitas, acredito que restou muito claro a indicação de que mulher não é objeto, de que o crime de feminicídio é algo muito grave e que existirá repercussão para toda e qualquer pessoa que atuar contra a vida e dignidade de nós, mulheres".
Ela ainda ressaltou que o Ministério Público tinha como objetivo maior preservar a vida de Sara Freitas, mas diante da irreversibilidade do crime, buscou garantir que a justiça fosse feita. A sociedade de Dias D'Ávila, segundo a promotora, deu um retorno importante através do veredito do júri, enviando uma mensagem clara sobre a gravidade da violência contra as mulheres.
O caso exemplifica a luta contra o feminicídio no Brasil, especialmente em crimes que envolvem violência extrema e planejamento meticuloso. As condenações representam um marco na busca por justiça para vítimas de violência de gênero e servem como alerta sobre as consequências legais para quem comete tais atrocidades.



