Vigilante é indiciado por feminicídio após atrair ex-companheira com perfil falso em Araguaína
Vigilante indiciado por feminicídio com perfil falso em Araguaína

Vigilante é indiciado por feminicídio após atrair ex-companheira com perfil falso em Araguaína

A Polícia Civil do Tocantins concluiu o inquérito sobre o brutal assassinato da merendeira Rozália Gonçalves Pereira, de 36 anos, e indiciou formalmente o vigilante Raimundo Gomes da Silva, de 59 anos, pelo crime de feminicídio. A informação foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira, dia 13, pela 2ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína, marcando um passo crucial na busca por justiça.

Crime motivado por ciúmes e rejeição

De acordo com as investigações detalhadas conduzidas pela polícia, o assassinato ocorreu após o suspeito demonstrar incapacidade de aceitar o fim do relacionamento amoroso. Em um plano premeditado, Raimundo criou um perfil completamente falso em um aplicativo de mensagens muito popular, utilizando essa identidade virtual para atrair a vítima para um encontro marcado sob falsos pretextos.

O corpo de Rozália foi encontrado no dia 5 de janeiro em um terreno baldio localizado no Setor Lago Sul, em Araguaína, ironicamente no mesmo bairro onde o casal residia. Quando localizado pelos agentes, o corpo já se encontrava em avançado e preocupante estado de decomposição, dificultando inicialmente a identificação.

Detalhes macabros da investigação policial

Segundo a Prefeitura Municipal de Araguaína, a vítima havia trabalhado dedicadamente como merendeira na Escola Municipal Joaquim Carlos Sabino dos Santos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, sendo conhecida por seu profissionalismo. As investigações minuciosas apontam de forma consistente que o crime foi motivado primordialmente por ciúmes doentios e possessividade.

Conforme explicou detalhadamente o delegado responsável pelo caso, Adriano Carvalho, o suspeito nutria a crença infundada de que estava sendo traído pela companheira. Por esse motivo, arquitetou o plano diabólico de criar o perfil falso no aplicativo, utilizando essa artimanha digital para marcar um encontro secreto com a esposa.

No local previamente combinado através das mensagens falsas, ele teria atacado Rozália com extrema violência, desferindo diversos golpes profundos de faca contra a vítima indefesa. Ainda de acordo com os depoimentos colhidos pela polícia, o relacionamento do casal já passava por uma crise conjugal significativa há algum tempo, e Raimundo demonstrava total incapacidade de aceitar a decisão firme da vítima de se separar definitivamente.

Fuga para outro estado e abandono familiar

Após cometer o crime hediondo, o vigilante teria retornado calmamente para a própria residência e, na madrugada do dia seguinte, fugido rapidamente para o estado vizinho do Maranhão, tentando escapar da ação da justiça. “A Polícia Civil realizou uma investigação complexa e minuciosa que conseguiu reunir todos os elementos probatórios que demonstram de forma cabal ter o companheiro da vítima sido o autor desse feminicídio brutal, afirmou com convicção o delegado Adriano Carvalho.

Ele complementou: “Este crime além de ter tirado cruelmente a vida da vítima, ainda deixou os próprios filhos completamente abandonados, agravando ainda mais as consequências dessa tragédia familiar.”

Desaparecimento e descoberta do corpo

Rozália estava oficialmente desaparecida desde o dia 1º de janeiro deste ano. Na ocasião do registro, familiares angustiados relataram à Polícia Militar que ela havia saído de casa alegando encontrar-se com uma pessoa que conheceu recentemente pela internet, através de redes sociais.

A filha da vítima contou posteriormente aos investigadores que, embora o encontro fatal provavelmente tenha ocorrido naquele mesmo dia, o celular da mãe permaneceu misteriosamente ativo por algum tempo considerável, mesmo sem atender às inúmeras ligações desesperadas feitas pelos parentes preocupados.

O corpo foi finalmente localizado após um morador atento do bairro perceber um forte e insuportável cheiro vindo do terreno baldio e notar a presença sinistra de urubus sobrevoando persistentemente a área. A análise pericial minuciosa feita pela Polícia Militar e pela perícia técnica oficial identificou múltiplas perfurações profundas na região do tórax da vítima, confirmando a violência extrema do crime.

O caso segue agora para a fase judicial, onde o indiciado responderá pelos atos perante a justiça tocantinense, enquanto a família de Rozália busca reconstruir suas vidas após essa perda irreparável.