Drones explosivos equipados com cabos de fibra óptica, utilizados pelo Hezbollah, têm se mostrado uma ameaça significativa para o exército israelense, um dos mais avançados do mundo. Pequenos, baratos e fáceis de operar, esses dispositivos já causaram várias baixas, incluindo dois soldados e um contratado civil em apenas uma semana, de acordo com fontes militares israelenses.
Como funcionam os drones de fibra óptica
Ao contrário dos drones tradicionais, que dependem de GPS ou rádio e são vulneráveis a bloqueadores de sinal, esses modelos são conectados à base de lançamento por um cabo de fibra óptica que pode atingir até 50 quilômetros de extensão. O operador controla o aparelho com uma visão imersiva, por meio de uma tela ou óculos de realidade virtual, sem necessidade de treinamento complexo. A pesquisadora Orna Mizrahi, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) de Tel Aviv, comparou o uso a "um brinquedo de criança". Além disso, esses drones podem ser adquiridos facilmente em plataformas de venda online.
Desafio para Israel
Esse tipo de arma, típica de guerras assimétricas, já demonstrou capacidade de causar danos consideráveis, representando um grande problema para Israel em uma das frentes mais ativas do conflito regional que começou em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos com os Estados Unidos contra o Irã. Um alto oficial militar israelense admitiu que, apesar de utilizarem diversas tecnologias para combater os drones, nenhuma é infalível. Yousef al Zein, dirigente do Hezbollah encarregado das relações com a imprensa, afirmou que a organização explora os pontos fracos do inimigo como tática.
Especialistas apontam falta de preparo
Oleksi Reznikov, ex-ministro da Defesa ucraniano, revelou que ofereceu a experiência ucraniana com drones a Israel ainda em 2022, mas não houve resposta concreta. A pesquisadora Mizrahi avaliou que o exército israelense não se preparou para enfrentar explosivos tão rudimentares. O especialista Arié Aviram, do INSS, explicou que, como o drone não transmite imagens por rádio nem é guiado por receptor de rádio, não pode ser detectado ou neutralizado eletronicamente.
Soluções em análise
O uso de mísseis interceptadores, aviões de combate ou helicópteros é financeiramente insustentável a longo prazo para derrubar dispositivos que custam algumas centenas de dólares, embora alguns modelos cheguem a US$ 4.000 (cerca de R$ 20 mil). O novo sistema a laser para interceptar armas de curto alcance pode ser uma solução, desde que implementado em larga escala. Em 11 de abril, o Ministério da Defesa israelense lançou uma licitação para propostas de "tecnologias inovadoras" contra a ameaça de drones controlados por fibra óptica.
Métodos improvisados
Enquanto isso, o exército recorre a métodos "pouco sofisticados", como detectar os drones por radar ou visualmente, muitas vezes tarde demais, e lançar redes, técnica também usada na Ucrânia. Imagens publicadas pelo jornalista Amit Segal mostram veículos militares cobertos com malhas de proteção semelhantes a mosquiteiros, um contraste com os padrões tecnológicos israelenses.



