Vigilante é indiciado por feminicídio após criar perfil falso para atrair esposa em Araguaína
Vigilante indiciado por feminicídio após perfil falso em Araguaína

Vigilante é indiciado por feminicídio após criar perfil falso para atrair esposa em Araguaína

A Polícia Civil do Tocantins indiciou formalmente o vigilante Raimundo Gomes da Silva, de 59 anos, pelo crime de feminicídio contra sua esposa, a merendeira Rozália Gonçalves Pereira, de 36 anos. A conclusão do inquérito policial foi divulgada nesta sexta-feira, dia 13, pela 2ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína, revelando detalhes chocantes do caso que comoveu a região.

Crime premeditado por ciúmes e rejeição

As investigações apontam que o feminicídio foi motivado por ciúmes doentios e pela incapacidade do marido em aceitar o término do relacionamento. Segundo o delegado responsável pelo caso, Adriano Carvalho, Raimundo acreditava estar sendo traído pela esposa e arquitetou um plano macabro para atraí-la a uma armadilha fatal.

O vigilante criou um perfil falso em um aplicativo de mensagens, simulando ser outra pessoa, e marcou um encontro com Rozália. No local combinado, ele a atacou com múltiplos golpes de faca, causando sua morte instantânea. A polícia apurou que o casal vivia uma crise conjugal há algum tempo e que Raimundo não aceitava o pedido de separação feito pela esposa.

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Descoberta do corpo em estado avançado de decomposição

O corpo de Rozália foi encontrado no dia 5 de janeiro, em um terreno baldio no Setor Lago Sul, em Araguaína. O local ficava no mesmo bairro onde o casal residia, aumentando a crueldade do crime. A vítima estava desaparecida desde o feriado de Ano Novo, 1º de janeiro, quando familiares informaram à Polícia Militar que ela havia saído para encontrar uma pessoa conhecida na internet.

Um morador da região localizou o corpo após perceber um forte odor e observar urubus sobrevoando o terreno, situado no cruzamento da Avenida do Comércio com a Rua Amarilis. O corpo já se encontrava em avançado estado de decomposição, dificultando inicialmente a identificação. A perícia técnica confirmou posteriormente que se tratava de Rozália e identificou perfurações na região do tórax, compatíveis com os golpes de faca descritos nas investigações.

Fuga do suspeito e abandono dos filhos

Após cometer o crime, Raimundo Gomes da Silva retornou à residência do casal e, na madrugada do dia seguinte, fugiu para o estado do Maranhão. Atualmente, ele é considerado foragido pela Justiça, com mandado de prisão em aberto.

O delegado Adriano Carvalho destacou a brutalidade do feminicídio: "A Polícia Civil realizou uma complexa investigação que conseguiu todos os elementos que demonstram ter o companheiro da vítima sido o autor desse feminicídio brutal, que além de ter tirado a vida da vítima, ainda deixou os próprios filhos abandonados".

Vítima era merendeira e mãe dedicada

Rozália Gonçalves Pereira trabalhava como merendeira na Escola Municipal Joaquim Carlos Sabino dos Santos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, conforme informações da Prefeitura de Araguaína. Ela era conhecida por seu trabalho dedicado e deixou dois filhos que agora estão sob os cuidados de familiares.

Um detalhe perturbador revelado durante as investigações foi que, embora o crime tenha ocorrido provavelmente no dia 1º de janeiro, o celular de Rozália permaneceu ativo por algum tempo após sua morte. Familiares tentaram repetidamente entrar em contato, mas as chamadas nunca foram atendidas, aumentando a angústia durante os dias de desaparecimento.

Conclusão do inquérito e próximos passos

Com a conclusão do inquérito policial e a indiciação formal de Raimundo Gomes da Silva, o caso agora segue para o Ministério Público, que deverá oferecer denúncia contra o acusado. A Polícia Civil continua em busca do vigilante foragido, com operações coordenadas entre as polícias do Tocantins e do Maranhão para localizá-lo e trazê-lo à Justiça.

O feminicídio de Rozália Gonçalves Pereira chama atenção para a violência doméstica que continua assolando o Brasil, mesmo em cidades do interior como Araguaína. A comunidade local se mobilizou em apoio à família da vítima, realizando vigílias e pedindo justiça para o caso que deixou duas crianças órfãs de mãe.

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