Suspeito de feminicídio em Cacequi se entrega à polícia após crime que choca o Rio Grande do Sul
O principal suspeito de cometer um feminicídio em Cacequi, município localizado na Região Central do Rio Grande do Sul, decidiu se apresentar voluntariamente às autoridades policiais na tarde desta terça-feira (17). De acordo com informações oficiais da Polícia Civil, Bruno Padilha, de 29 anos, chegou à Delegacia de Polícia de Rosário do Sul, cidade vizinha a Cacequi, acompanhado de seu advogado particular.
Durante todo o procedimento de registro e interrogatório, o indivíduo optou por exercer seu direito constitucional de permanecer em completo silêncio, não fornecendo qualquer declaração sobre os fatos que o incriminam. Após a formalização dos autos, a Justiça determinou a decretação de sua prisão preventiva, medida cautelar que foi imediatamente cumprida com o seu encaminhamento ao Presídio Estadual de Rosário do Sul.
Detalhes do crime que abalou a comunidade local
A vítima, identificada como Cássia Girard do Nascimento, uma jovem de apenas 26 anos, foi brutalmente assassinada na madrugada de sábado (14), dentro da residência de uma amiga. O endereço do crime foi a rua Carlos Catupi, situada no tranquilo bairro Iponã, em Cacequi. Seu sepultamento ocorreu no domingo seguinte (15), em uma cerimônia marcada pela comoção de familiares e amigos.
Conforme apurou a reportagem junto ao delegado responsável pela investigação, Adriano de Jesus Linhares Rodrigues, a vítima havia registrado um boletim de ocorrência contra o agora suspeito na sexta-feira (13), apenas um dia antes da tragédia. Nesse mesmo dia, ela conseguiu que uma medida protetiva de urgência (MPU) fosse deferida pela Justiça, em uma tentativa desesperada de se proteger.
"O homem chegou a ser formalmente intimado sobre a determinação judicial, mas decidiu ignorar completamente a ordem, descumprindo-a de maneira flagrante", explicou o delegado. Cássia deixa um filho órfão de apenas seis anos, que agora enfrenta a vida sem a presença da mãe.
Relacionamento marcado por ameaças e medo constante
De acordo com depoimentos colhidos de familiares próximos da jovem, o relacionamento entre Cássia e Bruno durou aproximadamente um ano e meio. Testemunhas relatam que o homem nunca aceitou o fim do romance, passando a perseguir e ameaçar a ex-companheira de forma insistente e aterrorizante.
"Ela vivia com muito medo dele, um temor profundo de que ele pudesse concretizar exatamente o que acabou fazendo. Ela buscou a medida protetiva de urgência na esperança de que isso pudesse impedi-lo, mas infelizmente não foi suficiente", desabafou um parente, que preferiu não se identificar, em conversa com a equipe de reportagem.
A Prefeitura Municipal de Cacequi emitiu uma nota oficial de pesar no sábado, dia do crime, expressando solidariedade à família e amigos. "Que a memória de Cássia nos inspire a construir uma sociedade mais justa, fraterna e verdadeiramente protegida pela paz de Deus", dizia trecho da publicação.
Alerta sobre a escalada da violência contra mulheres no estado
Este trágico episódio representa o 15º caso de feminicídio registrado oficialmente no Rio Grande do Sul apenas no ano de 2026. Os números são alarmantes: somente no mês de fevereiro, quatro mulheres perderam a vida em circunstâncias similares, assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros.
Como buscar ajuda e denunciar a violência doméstica:
- Em caso de ocorrência em andamento, a vítima ou qualquer testemunha deve ligar imediatamente para o 190, número da Brigada Militar.
- Se a violência já ocorreu, a vítima deve se dirigir a uma Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia para registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas.
- É possível realizar o registro de ocorrência e pedido de medida protetiva de forma online, através da plataforma Delegacia Online.
- A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone 180.
- A Defensoria Pública do Estado oferece atendimento gratuito pelo número 0800-644-5556, prestando orientações jurídicas sobre direitos e consultas com advogados.