Suspeito confessa assassinato de jovem após programa sexual em Araguari
Os sonhos de Joyce Karoline Silva, uma jovem de 25 anos, foram brutalmente interrompidos no dia 13 de janeiro, em Araguari, no Triângulo Mineiro. A vítima, que aspirava ser médica e conhecer o mar do Rio de Janeiro, foi morta durante um programa sexual, segundo a Polícia Civil. O suspeito, Vanderlândio Pinto Rodrigues, de 28 anos, confessou o crime e agora responde por feminicídio e ocultação de cadáver.
Uma vida cheia de sonhos e coragem
Andréia Souza da Silva, mãe de Joyce, descreve a filha como uma jovem extrovertida, falante e cheia de vida. "Ela era diferente dos demais parentes, com sonhos que não cabiam no distrito de Dolearina, em Estrela do Sul", afirmou. Apesar de não entender completamente as ambições da filha, Andréia sempre a apoiou em cada passo.
O irmão de Joyce, Aroldo da Silva Júnior, relembra que ela não escondia sua realidade e usava sua profissão como impulso para alcançar objetivos maiores. "Ela era uma pessoa muito boa. A medicina, ainda que distante, era algo pelo qual ela já demonstrava gosto e habilidade", contou. Amigos a descreviam como imbatível, alguém que jamais imaginava que algo ruim pudesse acontecer com ela.
Os detalhes macabros do crime
De acordo com a delegada Paula Fernanda de Oliveira, após o assassinato, Vanderlândio arrastou o corpo de Joyce até a cozinha de sua casa, onde o manteve escondido atrás de um biombo por quatro dias. O corpo começou a expelir um forte odor, incomodando os vizinhos. Para justificar o cheiro, o suspeito alegava se tratar de um gato morto no forro.
Na noite do dia 17 de janeiro, Vanderlândio enrolou o corpo nu da vítima em um pano, carregou-o nos ombros e o desovou em um quintal de uma colônia de casas no Bairro São Sebastião. Três dias depois, uma moradora que criava galinhas no local percebeu o cheiro forte e descobriu o corpo em avançado estado de decomposição sob entulhos.
A versão do suspeito e as investigações
Durante depoimento, Vanderlândio afirmou que a morte de Joyce foi um acidente ocorrido durante a relação sexual. No entanto, a análise preliminar do crime indica que o ferimento no pescoço foi causado por um instrumento cortante. A perícia ainda está analisando materiais encontrados no local para esclarecer as circunstâncias exatas da morte.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) confirmou a conversão da prisão temporária em preventiva, e o suspeito foi encaminhado para o Presídio de Araguari. A Polícia Civil aguarda a conclusão das análises periciais para consolidar as acusações.
Os últimos momentos de Joyce
A trajetória da jovem no dia do crime foi reconstruída pelas investigações:
- Joyce saiu de casa no distrito de Dolearina para trabalhar em Araguari no dia 13 de janeiro.
- Ela foi até uma zona boêmia da cidade e, por volta das 13h30, deixou o local para atender a um programa marcado por um site de acompanhantes.
- Câmeras de monitoramento mostram a vítima chegando à casa do suspeito às 14h36, onde foi recebida por Vanderlândio.
- Duas horas depois, outro homem entrou no imóvel, ficou por menos de dez minutos e saiu. Ele foi detido, ouvido e liberado pela polícia.
- Joyce foi morta ainda no dia 13, e seu corpo permaneceu escondido na cozinha até a madrugada do dia 17, quando foi removido pelo suspeito.
A dor da família e o legado deixado
A família de Joyce estranhou o sumiço da jovem, que sempre mantinha contato pelas redes sociais. O desaparecimento foi relatado na quinta-feira (15), e as polícias Militar e Civil iniciaram as buscas. O corpo foi encontrado na terça-feira (20), no mesmo imóvel onde o suspeito vivia com outros nove trabalhadores rurais.
Joyce deixou três filhos, de 8, 6 e 3 anos, que já viviam com o pai. A mãe da vítima expressou seu desejo de que a filha tivesse abandonado a profissão e retornado para cuidar das crianças. "É muito triste descobrir a morte de uma filha desse jeito. Meu sonho era que ela ficasse com os três filhos", lamentou Andréia.
O caso choca a comunidade de Araguari e reforça a discussão sobre violência contra mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade. As investigações continuam para elucidar todos os detalhes desse crime brutal.