Sorocaba registra mais de 300 medidas protetivas em 2026, mas uso de tornozeleira eletrônica é mínimo
Sorocaba tem 300 medidas protetivas, mas só uma tornozeleira

Sorocaba registra alta demanda por medidas protetivas contra violência doméstica

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, no interior de São Paulo, concedeu mais de 300 medidas protetivas para mulheres vítimas de violência apenas nos dois primeiros meses de 2026. Os dados revelam uma média impressionante de mais de cinco ordens judiciais por dia, mantendo a alta média registrada em 2025, quando a cidade contabilizou 1.926 pedidos ao longo do ano, conforme informações do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Ferramenta de monitoramento subutilizada

Em contraste com o elevado número de casos, uma importante ferramenta para coibir a violência tem sido pouco aproveitada na cidade. A tornozeleira eletrônica, disponibilizada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) desde dezembro de 2025, teve apenas uma instalação registrada até março deste ano, segundo levantamento da TV TEM. O equipamento, que monitora agressores para prevenir o descumprimento das medidas protetivas, representa uma estratégia crucial para a segurança das vítimas.

Conforme apurado pela emissora, Sorocaba registrou 159 pedidos de medidas protetivas em janeiro de 2026, seguidos por 168 em fevereiro, totalizando 327 casos nos primeiros dois meses do ano. A medida protetiva é uma ordem judicial que proíbe o agressor de se aproximar da vítima, com possibilidade de prisão em caso de descumprimento.

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Histórico de atrasos na implementação

A primeira e única tornozeleira eletrônica foi instalada em janeiro deste ano em um agressor denunciado por violência doméstica. A concretização ocorreu quase dois anos após o anúncio inicial da SSP sobre a adoção do monitoramento eletrônico no município. O programa começou a operar em Sorocaba em dezembro de 2025, com 250 equipamentos disponíveis, embora a previsão original fosse para o primeiro semestre de 2024.

Em fevereiro de 2024, o então secretário da SSP, Guilherme Derrite, anunciou que acusados de violência doméstica no interior de São Paulo passariam a ser monitorados por tornozeleira eletrônica, com ampliação prevista para abril daquele ano. Contudo, o prazo foi adiado diversas vezes, e a medida só foi efetivada em dezembro de 2025, após nova promessa feita em março de 2025 durante visita a Itu.

Alternativa tecnológica em funcionamento

Enquanto as tornozeleiras não são amplamente utilizadas, a Guarda Municipal (GCM) de Sorocaba conta com outra ferramenta há oito anos: um aplicativo com "botão do pânico" para as vítimas. Segundo o comandante da GCM, Davi Dutra, o sistema é eficaz e permite resposta imediata das autoridades.

"No momento em que ela (vítima) faz o acionamento, ele vai direto para nossa central de operações integradas e é imediatamente identificado o local em que ela está e é deslocada a viatura mais próxima para fazer esse atendimento", explica Dutra. A SSP informou que, embora outros crimes possam ser incluídos no monitoramento, em Sorocaba o foco inicial será nos casos de violência contra a mulher.

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