Família protesta por justiça antes de júri de homem acusado de feminicídio em Taubaté
Familiares e amigos de Mariana da Costa Nascimento, mulher de 28 anos assassinada e encontrada enterrada em uma área de mata, se reuniram na manhã desta terça-feira (10) em frente ao Fórum de Taubaté, no interior de São Paulo. O protesto ocorreu antes do início do júri popular do homem acusado de matar e enterrar a ex-companheira, com os participantes carregando cartazes com fotos da vítima e frases sobre feminicídio para cobrar a condenação pelo crime.
Expectativa por pena máxima
O réu Luiz Felipe da Silva de Moura, de 32 anos, foi denunciado pelo Ministério Público por feminicídio e ocultação de cadáver. A irmã da vítima, Gabriela Costa, expressou a emoção da família e a esperança por uma sentença severa. "A expectativa nossa é bem grande. A gente está com a nossa família ainda muito comovida, com o coração apertado, por uma impunidade, uma injustiça e uma crueldade que foi feita com a minha irmã. Então a gente espera, no mínimo, que ele pegue a pena máxima", afirmou Gabriela.
Memória viva e alerta às mulheres
Segundo Gabriela, o protesto serve para manter viva a memória de Mariana e alertar outras mulheres sobre a violência de gênero. "Esse movimento não significa nada do nosso sofrimento, não chega nem perto do que a gente tá sentindo. A gente tá com o coração realmente apertado. Ela tá aqui (no cartaz), mas não está aqui com a gente. Então é para ser um gesto de grito mesmo, para alertar todas as outras famílias e mulheres, para elas não se calarem", disse ela, destacando a importância da mobilização social contra o feminicídio.
Detalhes do julgamento
O júri popular teve início às 9h desta terça-feira no Fórum de Taubaté, com sete jurados que devem ouvir cinco testemunhas e o interrogatório do réu. Não há previsão de duração do julgamento, que tem grande repercussão na região e mobilizou a comunidade desde o início das investigações.
Cronologia do caso
Mariana foi encontrada morta em junho de 2025, após ser dada como desaparecida pela família. De acordo com o boletim de ocorrência, ela saiu com o ex-companheiro no dia 8 de junho e, como não voltou, parentes registraram o desaparecimento no dia seguinte. Durante as buscas, a polícia encontrou o corpo da jovem enterrado em uma área de mata na região do Distrito Industrial do Una, na zona rural de Taubaté.
Investigação e prisão
Imagens de câmeras de segurança ajudaram os investigadores a identificar o carro de Luiz Felipe circulando na região, e pertences da vítima, como celular e uma bota, foram encontrados próximos a um rio. O suspeito foi levado à delegacia e, inicialmente, confessou ter matado Mariana e enterrado o corpo. Posteriormente, com um advogado, mudou a versão, alegando que apenas ocultou o cadáver após encontrá-la morta. Após audiência de custódia em 11 de junho de 2025, a Justiça converteu a detenção em flagrante em prisão preventiva.
Acusações e defesa
Na denúncia, o Ministério Público afirma que Luiz Felipe matou Mariana por esganadura quando estavam sozinhos e, após o crime, enterrou o corpo para dificultar a investigação. O MP destacou que a vítima tinha medida protetiva contra o ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento e a perseguia. A defesa do suspeito, por sua vez, alega que ele não cometeu o homicídio, encontrando Mariana morta por enforcamento e decidindo enterrar o corpo por medo de ser acusado.



