Primeira condenação por feminicídio em Roraima: réu recebe 31 anos de prisão
Primeira condenação por feminicídio em Roraima: 31 anos de prisão

Primeira condenação por feminicídio em Roraima resulta em 31 anos de prisão

O Ministério Público de Roraima divulgou nesta sexta-feira (17) a primeira sentença no estado após a mudança na legislação que tornou o feminicídio um crime autônomo. O réu Adriano Batista Alves foi condenado a 31 anos de prisão por tentar matar, torturar e manter sua ex-companheira em cárcere privado na capital Boa Vista.

Detalhes brutais do crime ocorrido em agosto de 2025

Os crimes aconteceram entre os dias 22 e 26 de agosto de 2025 na residência do casal, localizada no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. Segundo a denúncia, as agressões começaram após uma suspeita de infidelidade e se intensificaram com o passar dos dias.

As violências incluíam:

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  • Queimaduras com cigarro
  • Mordidas em diversas partes do corpo
  • Golpes com faca e gargalo de garrafa
  • Socos e tapas constantes
  • Agressões morais e psicológicas

A vítima sofreu ferimentos graves na cabeça, braços, pernas e região íntima. Adriano ainda expunha publicamente as agressões através de postagens nas redes sociais, compartilhando os atos violentos com familiares e amigos da mulher.

Fuga milagrosa e prisão preventiva

No dia 26 de agosto, após um desentendimento, o réu declarou à vítima: "de hoje tu não passa, eu vou te matar", e fez uma ligação para que ela se despedisse da família. Foi nesse momento crítico que o irmão da vítima começou a discutir com Adriano, distraindo-o o suficiente para que a mulher conseguisse fugir e pedir socorro.

O processo tramitou na 2ª Vara do Júri de Boa Vista e teve duração de sete meses até a condenação definitiva. Adriano já estava preso preventivamente por ordem judicial durante todo o período processual.

Nova legislação e regime de cumprimento da pena

Com as alterações na legislação, os condenados por feminicídio agora enfrentam penas mais severas. A nova diretriz estabelece pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos para assassinatos contra mulheres motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero - a maior punição prevista no Código Penal Brasileiro.

O Conselho de Sentença reconheceu todos os crimes praticados pelo réu e determinou que os 31 anos de reclusão sejam cumpridos inicialmente em regime fechado, além de quatro meses de detenção. Segundo as novas regras, o condenado só poderá progredir de regime após cumprir, no mínimo, 55% da pena total.

Diferença crucial entre homicídio e feminicídio

A promotora de Justiça Jeanne Sampaio explicou que "o feminicídio não acontece de repente, ele ocorre quando o desprezo à condição da mulher já se instalou". Ela destacou que a mulher vítima de violência doméstica é gradualmente reduzida a uma condição de nulidade pelo próprio companheiro, que pratica violências moral, psicológica, patrimonial, sexual e física.

Enquanto o homicídio simples prevê pena de seis a 20 anos, e o homicídio qualificado de 12 a 30 anos, o feminicídio se caracteriza especificamente pelo assassinato de uma mulher em razão do gênero, associado à violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição feminina.

Contexto histórico da Lei de Feminicídio

A Lei de Feminicídio foi criada em 2015 com pena original de 12 a 30 anos de reclusão. A legislação prevê aumento de pena de um terço até a metade quando o crime é cometido:

  1. Durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto
  2. Contra a mãe ou responsável por criança, adolescente ou pessoa com deficiência
  3. Contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos, ou com algum tipo de deficiência
  4. Na presença física ou virtual de descendente ou ascendente da vítima
  5. Em descumprimento das medidas protetivas da Lei Maria da Penha

A promotora finalizou fazendo um apelo: "Que esse caso sirva de alerta não só para os agressores, pois o mal do crime será retribuído com o mal da pena, mas também para as mulheres, de que quando em situações como essas podem procurar ajuda em órgãos, instituições e pessoas em nossa cidade que se dedicam à proteção e defesa da mulher".

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