A Polícia Civil de Manoel Urbano, no interior do Acre, efetuou a prisão de uma mulher neste domingo (25), suspeita de cometer agressões físicas contra a própria namorada. O caso, que envolve um relacionamento homoafetivo, ganhou destaque após a vítima buscar ajuda na delegacia local durante a noite para formalizar a denúncia.
Detalhes do ocorrido e prisão em flagrante
De acordo com a delegada Rivânia Franklin, responsável pelas investigações, a vítima procurou os policiais em estado de desespero, relatando ter sofrido repetidas agressões por parte da companheira. Além da violência física, a suspeita teria subtraído pertences valiosos, incluindo um celular e uma motocicleta, que foram posteriormente recuperados pela polícia.
"A vítima pediu socorro aos policiais após ter sofrido agressões por parte da companheira. É um relacionamento homoafetivo, e, além das agressões, a companheira tinha subtraído alguns pertences", explicou a delegada em entrevista.
Histórico de violência e medidas legais
A vítima confessou aos agentes que já havia sido agredida em ocasiões anteriores, mas optou por não denunciar até o momento. Com base nas informações fornecidas, a polícia se dirigiu à residência da suspeita, onde efetuou a prisão em flagrante e apreendeu os itens roubados.
"Segundo a vítima, ela já foi agredida outras vezes, mas não denunciou. Fomos até a casa da autora, trouxemos ela conduzida e estou analisando o procedimento", confirmou Rivânia Franklin.
Aplicação da Lei Maria da Penha e interrogatório
A delegada ressaltou que a vítima manifestou interesse em obter uma medida protetiva contra a namorada, pedido que será formalmente encaminhado ao Poder Judiciário. A suspeita deve responder pelo crime de violência doméstica, enquadrado na Lei Maria da Penha.
"Mesmo em relacionamentos homoafetivos, a Lei Maria da Penha não impede a aplicação das medidas. A vítima sendo mulher, ela é atendida dentro da lei. Estamos acostumados a ter homens como agressores, mas nem sempre são e pode ser, como nesse caso, uma mulher", pontuou a autoridade policial.
O interrogatório da mulher presa está agendado para esta segunda-feira (26), quando novos detalhes do caso devem ser esclarecidos.
Canais de denúncia e apoio às vítimas
Em casos de violência contra a mulher no Acre, a Polícia Militar disponibiliza diversos canais para denúncias e socorro imediato. É fundamental que as vítimas ou testemunhas busquem ajuda através dos seguintes meios:
- Polícia Militar - 190: para situações de risco iminente;
- Samu - 192: em emergências médicas urgentes;
- Delegacias especializadas no atendimento a mulheres ou qualquer delegacia de polícia;
- Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) do Acre: telefone (68) 99930-0420;
- Disque 100: para denúncias anônimas de violações de direitos humanos;
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008.
Profissionais de saúde também têm a obrigação de realizar notificação compulsória em casos suspeitos de violência, encaminhando as informações aos conselhos tutelares e autoridades policiais.