Policial Militar preso por estupro de enteada em Realengo usava arma e ameaças
Um primeiro sargento da Polícia Militar, de 49 anos, foi preso acusado de estupro de vulnerável contra sua enteada, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A investigação teve início em dezembro, quando a adolescente, hoje com 15 anos, revelou à mãe que sofria abusos desde os 8 anos de idade. O homem, cuja identidade será preservada para proteger a vítima, está detido na Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Abusos cometidos com arma por perto e ameaças à vítima
De acordo com o depoimento da menina, os abusos sexuais eram cometidos em momentos em que o policial militar estava armado ou com o armamento próximo, sobre uma mesa ou cama. A vítima relatou à polícia que se sentia ameaçada e que ele usava a arma para assustá-la, o que a impediu de denunciar os crimes por sete anos. Somente aos 15 anos, ela encontrou coragem para relatar os abusos, que foram avaliados por uma equipe psicológica da polícia e do Ministério Público antes do pedido de prisão.
Mensagens atribuídas ao acusado revelam violência psicológica
Prints de mensagens atribuídas ao sargento mostram uma série de ameaças e manipulações psicológicas dirigidas à enteada. Em algumas das mensagens, ele se refere à adolescente como "gostosa do pai" e afirma "criou ela para o mundo". Ele também usa a família da vítima para coagir, dizendo: "Você não quer ficar sem sua mãe e seu irmão, lembra?". Em outra mensagem, ele ordena que ela apague as conversas e justifica os abusos: "apaga essa mensagem e para de falar dos meus carinhos, eu só queria que você entendesse como é ser mulher de verdade. Eu te criei para o mundo, por isso te preparei, para você não cair nas mãos de homem canalha". O acusado ainda alega ter tido a permissão de Deus para cometer os atos.
Ameaças de morte à mãe da vítima após separação
A ex-esposa do policial, que se separou dele após descobrir os abusos sofridos pela filha, também relatou ameaças de morte enviadas por telefone. Nas mensagens, ele escreve: "não vai sobrar nada de você, tudo vai se resolver de forma rápida. Eu vou ter o prazer de criar meu filho e fazer sua caveira pra ele não sentir sua falta nem visitar seu túmulo". Ele ainda ressalta sua condição de policial e conhecimento da rotina da vítima, dizendo: "O Rio é bem perigoso, eu conheço muita gente, nem vou ter trabalho, desgraçada". A partir desse momento, ele passa a se referir à enteada com palavras de baixo calão.
Medidas protetivas e posicionamento das autoridades
A Justiça deferiu medidas protetivas para a adolescente, garantindo sua segurança após a denúncia. Em nota, a Polícia Militar informou que o acusado será submetido a um processo administrativo disciplinar, que avaliará sua permanência nos quadros da corporação. A instituição afirmou: "O comando da Corporação reitera que não compactua com possíveis desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes e que pune com rigor os envolvidos sempre que os fatos são devidamente constatados, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa". A defesa da vítima declarou que já tomou as "providências judiciais" e, devido ao segredo de Justiça e às ameaças do réu, optou por não divulgar mais detalhes.