Pai e madrasta indiciados por feminicídio após morte brutal de adolescente em Rondônia
A Polícia Civil de Rondônia formalizou a denúncia contra o pai e a madrasta de Marta Isabelle dos Santos, adolescente de 16 anos que foi encontrada morta após sofrer torturas prolongadas dentro da própria casa. Os acusados, Callebe José da Silva e Ivanice Farias de Souza, responderão pelos crimes de feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.
Cenário de horror doméstico: adolescente mantida em cárcere e torturada
Segundo as investigações detalhadas pela delegada Leisaloma Carvalho, Marta Isabelle era mantida presa dentro de casa e sofria agressões constantes que culminaram em sua morte. A adolescente foi encontrada pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável, em estado de completa degradação humana.
O laudo pericial inicial revelou condições chocantes:
- Desnutrição grave e avançada
- Ossos expostos em diversas partes do corpo
- Ferimentos abertos cheios de larvas
- Marcas indicando que passou dias imobilizada
Violência sistemática e isolamento social
A investigação apontou que o pai e a madrasta mantinham a menina amarrada com fios, privando-a de condições básicas de sobrevivência. "Marta sofreu o ápice da violência dentro da própria casa, em um cenário de agressões que foram se intensificando ao longo do tempo", explicou a delegada Leisaloma Carvalho durante coletiva de imprensa.
Os castigos começaram de forma mais leve, mas foram aumentando progressivamente nos últimos meses. Há aproximadamente 60 dias, a situação se agravou drasticamente: Marta passou a ser mantida amarrada pelos pulsos, imobilizada na cama, sem acesso a comida adequada, água para beber ou qualquer tipo de higiene básica.
Abusos sexuais também são investigados
Durante a coletiva realizada na última terça-feira (3), a Polícia Civil revelou que há elementos no inquérito que indicam que a adolescente também seria vítima de abusos sexuais. "Lamentável que uma adolescente que deveria estar sendo protegida dentro de sua casa, estava sofrendo vários crimes tão bárbaros", comentou a delegada.
O caso se enquadra no artigo 121-A do Código Penal, que trata do feminicídio em situações de violência doméstica e familiar. A investigação mostrou que o pai da adolescente, descrito como ciumento, retirou-a da escola há quase três anos sob o argumento falso de que iria transferi-la para a Paraíba, isolando-a completamente do convívio social.
Quem era Marta Isabelle: sonhos interrompidos pela violência
Conhecida carinhosamente pela família como Martinha, Marta Isabelle dos Santos tinha 16 anos e sonhava em terminar os estudos e construir um futuro. Natural da Paraíba, ela morava com o pai e a madrasta em Rondônia, enquanto o restante da família permanecia em seu estado natal.
Em entrevista ao g1, a tia de Marta contou que a jovem era muito amada e que ninguém da família tinha conhecimento das agressões que sofria. "Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela", declarou emocionada.
Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto, sendo este o último registro em vida ao qual a família teve acesso. A tia afirmou que a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020 e que, desde então, o contato entre elas diminuiu significativamente.
Investigações continuam para desvendar todas as circunstâncias
A Polícia Civil informou que continua analisando minuciosamente os elementos do caso para desvendar todas as circunstâncias da morte da jovem. Além do pai e da madrasta, a avó paterna, Benedita Maria da Silva, também é mencionada nas investigações.
Os suspeitos mantinham a adolescente em condições desumanas: ela era obrigada a comer restos de comida, privada de água para beber, sem acesso a higiene básica e, mesmo com ferimentos cheios de larvas, não recebia qualquer atendimento médico. O pai chegou a cortar o cabelo da filha como forma de punição, demonstrando o caráter sistemático da violência.
"O sofrimento que essa adolescente teve durante o final da sua vida foi lento e gradual", destacou a delegada Leisaloma Carvalho, enfatizando a crueldade prolongada do caso. A Polícia Civil busca localizar a defesa dos suspeitos enquanto aprofunda as investigações sobre este trágico episódio de violência doméstica extrema.



