Pai é condenado a 71 anos de prisão por matar filha de 1 ano e 8 meses em Santa Catarina
Um homem de 41 anos foi condenado a 71 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da própria filha, uma criança de apenas 1 ano e 8 meses de idade. A sentença foi proferida por um júri popular na sexta-feira (10), em um julgamento que se estendeu por mais de 13 horas no fórum de Ponte Serrada, no Oeste catarinense. Além do feminicídio, o réu também recebeu penas pelos crimes de sequestro qualificado e ocultação de cadáver, conforme informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Crimes ocorreram em maio de 2025 entre Abelardo Luz e Vargeão
Os fatos trágicos aconteceram em 25 de maio de 2025, na região limítrofe entre os municípios de Abelardo Luz e Vargeão. De acordo com a denúncia do MPSC, o casal estava visitando familiares no interior de Abelardo Luz quando surgiu uma discussão. A companheira do réu manifestou a intenção de ir embora com a família e disse que mandaria entregar os pertences dele, pois não desejava mais coabitar.
O homem, então, simulou que daria colo para a filha e a retirou dos braços da mãe. Em seguida, fugiu para uma área de mata fechada nas proximidades da casa do irmão. Ele atravessou o rio Chapecozinho, que marca a divisa entre os dois municípios, e dirigiu-se a um terreno íngreme com vegetação densa. A aproximadamente 50 metros do rio, enforcou a menina. Após cometer o crime, tentou tirar a própria vida, mas não obteve sucesso.
Promotor destrema gravidade do feminicídio e desprezo à condição feminina
O promotor de Justiça Estevão Vieira Diniz Pinto enfatizou a severidade dos delitos durante o julgamento. "Ao tirar a vida da filha, esse homem cometeu feminicídio, caracterizado não só pelo contexto doméstico e familiar, mas principalmente pelo desprezo à condição feminina", declarou. "A conduta dele demonstra que enxergava a criança como sua propriedade, um objeto que lhe pertencia e sujeito à sua vontade".
A pena pelo feminicídio foi agravada devido a três circunstâncias:
- A vítima tinha menos de 14 anos de idade
- O crime foi cometido mediante dissimulação
- Houve recurso que impossibilitou a defesa da vítima
O sequestro foi qualificado por expor a criança a sofrimento físico, e a ocultação do cadáver completou o quadro criminoso.
Réu se entregou após confessar crime a familiares
Na tarde do mesmo dia, o homem entrou em contato telefônico com familiares e confessou o assassinato. Com a mediação de sua filha adulta, ele se entregou às autoridades policiais que, desde o final da tarde, realizavam buscas intensivas na região. No total, 80 profissionais das forças de segurança foram mobilizados na operação de localização.
O corpo da menina só foi encontrado na manhã seguinte ao crime. Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou elementos que evidenciaram a frieza das ações do réu. A Promotoria de Justiça também relatou episódios anteriores de violência doméstica e comportamento agressivo do acusado contra sua então companheira.
O homem já possui uma condenação transitada em julgado por lesão corporal, ameaça e porte ilegal de arma de fogo, o que reforçou o histórico de violência apresentado durante o processo. O caso chocou a comunidade local e destacou a importância do combate à violência contra mulheres e crianças no âmbito familiar.



