Operação Mulher Segura em Roraima resulta em 54 prisões e amplo atendimento a vítimas
A Polícia Civil de Roraima divulgou nesta sexta-feira (6) um balanço abrangente da Operação Mulher Segura, realizada em todo o país entre 19 de fevereiro e 5 de março. Os números revelam uma ação intensiva que resultou na prisão de 54 agressores de mulheres no estado, com destaque para casos graves de violência doméstica e tentativas de feminicídio.
Detalhes das prisões e casos emblemáticos
Das 54 prisões efetuadas durante a operação, 40 foram em flagrante e 14 tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. O trabalho foi coordenado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que atuou em casos como o de um vendedor de 24 anos, preso por tentar matar a ex-companheira, também de 24 anos, a facadas. O motivo foi a não aceitação do fim do relacionamento, com o agressor ainda praticando ameaças e perseguição contra a vítima.
Outro caso grave envolveu um pintor de 43 anos, que teve prisão preventiva decretada por tentativa de feminicídio após agredir uma jovem de 21 anos com golpes de madeira na cabeça, em Boa Vista. O crime ocorreu após a vítima cobrar uma dívida de R$ 350, evidenciando como conflitos triviais podem escalar para violência extrema.
Atendimento às vítimas e números da operação
Além das ações repressivas, a operação focou no atendimento humanizado e na prevenção. Durante o período, 226 vítimas foram atendidas, recebendo orientação para registro de ocorrência e encaminhamento à Justiça. As equipes solicitaram 179 medidas protetivas de urgência, consideradas cruciais para a segurança das mulheres.
Os dados completos da operação incluem:
- 213 boletins de ocorrência registrados
- 156 diligências policiais realizadas
- 15 inquéritos policiais instaurados
- 46 procedimentos concluídos com agressores identificados
- 55 exames de lesão corporal e 5 exames de violência sexual pela perícia criminal
Ações de prevenção e conscientização
A delegada Carla Gabriella Paulain enfatizou a importância das ações preventivas, que buscaram ampliar o acesso à informação e incentivar denúncias. "As ações de prevenção são fundamentais porque levam informação à população e ajudam a romper o ciclo de violência. Muitas vezes é a partir dessas orientações que a vítima passa a reconhecer a situação de violência e busca ajuda", destacou.
As atividades incluíram:
- 12 ações de panfletagem e 12 palestras, alcançando cerca de 1.500 pessoas
- 1.115 participantes em palestras presenciais em escolas, instituições públicas, empresas privadas e unidades das Forças Armadas
- 7 eventos em Boa Vista com aproximadamente 675 participantes, entre estudantes, militares e servidores públicos
- Palestras e capacitações nos municípios de Bonfim, Uiramutã, Mucajaí e Rorainópolis, atingindo cerca de 340 pessoas
Uma capacitação específica foi promovida na Academia de Polícia Integrada Coronel Santiago, em Rorainópolis, voltada a policiais militares e guardas civis municipais em formação, com foco no atendimento humanizado às vítimas.
Contexto estatístico da violência doméstica em Roraima
Dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal da Polícia Civil mostram que os registros de violência doméstica em Roraima caíram aproximadamente 33,4% entre 2023 e 2025. Em 2023, foram 7.087 registros, reduzindo para 6.524 em 2024 e chegando a 4.721 em 2025.
No entanto, o número de feminicídios consumados permaneceu estável, com 20 casos registrados entre 2023 e 2025. Outros crimes também apresentaram quedas significativas:
- Ameaça: de 2.618 casos em 2023 para 884 em 2025
- Lesão corporal: de 1.861 para 1.304 no mesmo período
- Estupro (incluindo de vulnerável): de 139 para 92 registros
O descumprimento de medidas protetivas também diminuiu, com 792 casos em 2024 caindo para 408 em 2025. Em janeiro de 2026, foram contabilizados 14 casos.
A Polícia Civil reforça que casos de violência contra a mulher podem ser denunciados em qualquer delegacia ou pelo telefone 180, canal nacional que recebe denúncias e orienta vítimas sobre como buscar ajuda e proteção.



