Mulher sobrevive a tentativa de feminicídio após ataque brutal de ex-colega de trabalho
A auxiliar administrativo Mariele Vitória Alves de Lima, de apenas 22 anos, recebeu alta hospitalar após sobreviver a uma tentativa de feminicídio que chocou Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. A jovem foi esfaqueada e teve o corpo incendiado por José Leonardo Pereira da Silva, um ex-colega de trabalho que não aceitou a rejeição amorosa.
Confronto desesperado pela vida
Nesta terça-feira (10), Mariele prestou depoimento na Segunda Delegacia da Mulher, no bairro de Prazeres, onde detalhou o momento de terror vivido no dia 2 de março. "Como eu luto muay thai e boxe, comecei a lutar corporalmente com ele, até que eu consegui tomar a faca dele", relatou a vítima, demonstrando como seus conhecimentos em artes marciais foram cruciais para sua sobrevivência.
O agressor, que havia sido demitido há aproximadamente 30 dias, invadiu o antigo local de trabalho e iniciou o ataque após ver uma foto do marido de Mariele. "Lembro que ele foi lá, me ameaçando, perguntando se eu iria namorar com ele. Eu disse que não queria porque eu era casada", contou a jovem, explicando o que desencadeou a violência.
Ataque brutal com faca e fogo
O ex-colega não apenas golpeou Mariele com uma faca, mas também jogou "thinner" (uma mistura de solventes orgânicos usada para diluir tintas) sobre seu corpo e ateou fogo. A vítima conseguiu quebrar a faca durante a luta, mas foi sufocada até perder a consciência.
Mariele recebeu alta no dia 8 de março, coincidentemente no Dia Internacional da Mulher, após seis dias internada no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, no Recife. Ela chegou à delegacia em uma viatura da Polícia Civil, ainda visivelmente debilitada e com marcas profundas da violência sofrida.
Marcas físicas e emocionais permanentes
As sequelas do ataque são evidentes e dolorosas. "Está queimando, meu corpo só faz queimar, toda parte do meu corpo só faz queimar", descreveu Mariele sobre as sensações que ainda a acompanham. A jovem precisa de auxílio para movimentos simples e não consegue dormir de costas devido à dor.
Além das marcas visíveis - olhos vermelhos, pescoço cortado, pele em carne viva - outras cicatrizes são invisíveis e devem acompanhá-la pelo resto da vida. "Para me levantar do carro da polícia foi um sacrifício. Para me sentar, eu grito", revelou a vítima sobre suas limitações atuais.
Busca por justiça e prisão do agressor
Mariele expressou seu desejo de ver o agressor punido: "Eu espero por justiça. Que ele apodreça na cadeia porque ele é um monstro. Eu não desejo isso pra ninguém". José Leonardo Pereira da Silva foi preso em flagrante no local do crime, contido por testemunhas até a chegada da polícia.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou a prisão preventiva do acusado em audiência de custódia. Ele foi autuado por tentativa de feminicídio pela Polícia Civil e atualmente está detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima.
Resistência feminina em meio à violência de gênero
O caso de Mariele Vitória ilustra dramaticamente a realidade da violência contra mulheres no Brasil. Apesar do trauma físico e psicológico, a jovem demonstrou uma força extraordinária ao enfrentar diretamente seu agressor e sobreviver a um ataque que poderia ter sido fatal.
Sua história ressoa especialmente por ter recebido alta no Dia Internacional da Mulher, simbolizando tanto a resistência feminina quanto a urgência no combate à violência de gênero. As autoridades continuam investigando o caso enquanto Mariele se recupera e aguarda que a justiça seja feita.



