Mulher é assassinada a tiros no Rio Grande do Sul após denunciar ex-companheiro
Uma tragédia abalou a cidade de Cacequi, na Região Central do Rio Grande do Sul, neste sábado (14). Cassia Nascimento, de 26 anos, foi morta a tiros poucas horas depois de ter denunciado seu ex-companheiro e obtido uma medida protetiva de urgência contra ele. O suspeito, de 29 anos, não foi localizado pela polícia até o momento.
Medida protetiva não foi suficiente para evitar o crime
De acordo com o delegado Adriano de Jesus Linhares Rodrigues, responsável pela investigação, Cassia registrou um boletim de ocorrência contra o ex-companheiro na sexta-feira (13). Ainda no mesmo dia, ela conseguiu que uma medida protetiva de urgência fosse deferida pela Justiça. O homem chegou a ser intimado sobre a determinação, mas claramente não a respeitou.
Este caso chocante evidencia a gravidade e a persistência da violência doméstica no Brasil, mesmo quando as vítimas buscam proteção legal. A rápida sucessão de eventos – da denúncia ao assassinato – deixa uma sensação de impotência e alerta para as falhas no sistema de proteção.
Prefeitura de Cacequi emite nota de pesar e destaca números alarmantes
A Prefeitura de Cacequi divulgou uma nota oficial na tarde de sábado, expressando "imensa dor e profunda consternação" pela morte de Cassia. O prefeito municipal em exercício, Edson Fragoso, ofereceu condolências à família e enfatizou o compromisso da administração com a defesa da vida e da dignidade das mulheres.
No comunicado, a prefeitura lembrou que a violência contra a mulher continua sendo uma triste realidade no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que aproximadamente 1.400 mulheres são vítimas de feminicídio anualmente no Brasil. Esses números reforçam a urgência de ações mais efetivas de combate a esse tipo de crime.
Feminicídio no Rio Grande do Sul: um triste recorde
O assassinato de Cassia Nascimento marca o 15º caso de feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026. Apenas no mês de fevereiro, quatro mulheres foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, segundo levantamentos das autoridades. Essa sequência de crimes revela um padrão preocupante que exige atenção redobrada das forças de segurança e do poder público.
A cidade de Cacequi, conhecida por sua tranquilidade, agora se vê no centro de uma discussão nacional sobre a eficácia das medidas de proteção à mulher. A comoção local é grande, e a comunidade se une em apoio à família da vítima.
Como denunciar e buscar ajuda em casos de violência doméstica
Diante de casos como este, é fundamental lembrar os canais de denúncia e apoio disponíveis:
- Emergências: Ligue para o 190 (Brigada Militar) se a violência estiver em andamento.
- Delegacias: A vítima pode registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas em qualquer delegacia, especialmente nas Delegacias da Mulher.
- Atendimento online: É possível fazer registro e pedir medida protetiva pela Delegacia Online.
- Central de Atendimento à Mulher: Funciona 24 horas pelo telefone 180.
- Defensoria Pública: Oferece orientações jurídicas pelo 0800-644-5556.
A morte de Cassia Nascimento serve como um triste alerta sobre os riscos que muitas mulheres enfrentam diariamente. Que sua memória inspire, de fato, a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas, como desejou a prefeitura em sua nota. Enquanto isso, a polícia segue em busca do suspeito, esperando que a Justiça seja feita.