Tragédia em Boa Esperança do Sul: mulher morre ao tentar separar briga de casal
A cidade de Boa Esperança do Sul, no interior de São Paulo, está em luto após a morte de Maria Aparecida Siqueira Ferraz, conhecida como Cida. A dona de casa, descrita por amigos como uma pessoa forte, amorosa e sempre disposta a ajudar, faleceu no sábado, dia 31, seis dias após sofrer uma agressão ao tentar separar uma briga violenta entre um casal de vizinhos.
Detalhes do ocorrido
Segundo informações da Polícia Civil, o incidente ocorreu na Rua Victório Govoni. Luiz Fernando Corrêa da Costa, de 30 anos, discutia com sua companheira de 31 anos, que tentava impedi-lo de sair de casa embriagado. Durante a discussão, ele agrediu a mulher com socos, ameaçou-a de morte e a xingou enquanto ela segurava o filho de seis meses no colo. A criança caiu, foi levada ao médico e, felizmente, não apresentou lesões aparentes.
Ao ouvir a confusão, Cida, que era vizinha e alugava a casa para o casal, tentou intervir para acalmar a situação. No entanto, foi atingida por um soco na cabeça, caiu e bateu a cabeça no chão. Ela foi socorrida pelo Samu e levada inicialmente à Santa Casa de Boa Esperança do Sul, sendo posteriormente transferida para um hospital em Araraquara, onde não resistiu aos ferimentos.
Suspeito foragido e revolta na comunidade
Luiz Fernando fugiu do local antes da chegada da Polícia Militar e segue foragido. Ele já tinha passagens policiais anteriores e era investigado por tráfico de drogas. A companheira solicitou medida protetiva de urgência após o ocorrido.
O caso, que inicialmente foi registrado como violência doméstica, ameaça, injúria e lesão corporal, agora será tratado como feminicídio. A Polícia Civil já pediu a prisão do suspeito, que deve responder pelo crime.
Protestos e homenagens a Cida
O corpo de Cida foi enterrado no Cemitério Municipal na manhã de domingo, dia 1º, sob forte comoção. Um protesto organizado nas redes sociais foi realizado nas ruas da cidade, terminando em frente à casa da vítima. Mulheres com cartazes e roupas sujas representando sangue pediram por justiça, em um ato simbólico contra a violência de gênero.
Danielli Ferreira Silva, amiga e ex-vizinha de Cida, descreveu a falecida como uma companheira para todas as horas. "Ela tinha um carinho muito grande pela minha filha que cresceu ali. A gente sempre estava junto, sentada na calçada. Sempre me ajudou com o que eu precisei. Então, assim, além de amiga, tinha ela como se fosse minha mãe", disse emocionada.
Danielli ainda relatou que Cida era uma mulher muito forte, que mesmo enfrentando problemas pessoais, como a perda do marido por infarto em janeiro de 2024, sempre estava disposta a ajudar os outros. "Ela era muito amorosa, principalmente com crianças", lembrou.
Revolta e busca por justiça
A amiga expressou sua revolta com a forma violenta como Cida perdeu a vida. "Estou muito triste e destruída. Minha ficha não caiu ainda. Perder uma pessoa pra doença ou até morte natural é horrível, mas imagina perder alguém que a vida foi interrompida? Ela foi assassinada", lamentou.
Danielli também criticou a atitude do suspeito durante os dias em que Cida estava internada. "Anda mais por que todos esses dias que ela estava internada ele estava andando pra rua bebendo por aí e falando que não tinha dado nada pra ele, debochando da situação", afirmou, reforçando o sentimento de indignação que tomou conta da população local.
A comunidade de Boa Esperança do Sul agora aguarda ansiosamente pela captura de Luiz Fernando, na esperança de que a justiça seja feita e que casos como esse não se repitam. A tragédia serve como um alerta para a gravidade da violência doméstica e suas consequências devastadoras, que muitas vezes atingem inocentes que tentam ajudar.